terça-feira, 1 de abril de 2008

Haja conserva!

O blog volta à ativa, depois da loucura que foi a mudança no layout da Gazeta do Povo, com uma matéria da Veja.

A fé que move os jovens

A matéria até que está entre "decente" e "boa" (inclusive dando um merecido pau nos teólogos da libertação), exceto por uma série de escorregões concentrados numa única parte do texto:

A nova tendência vocacional tem provocado a expansão dos movimentos católicos tradicionalistas, como a radical Fraternidade de Aliança Toca de Assis e o ultraconservador Opus Dei, única organização com status de ser prelazia pessoal do papa. Esses grupos começaram a proliferar durante o papado de João Paulo II e hoje, com as bênçãos de Bento XVI, continuam a arrebanhar vocações, sem proselitismo declarado.
Primeiro que "tradicionalista" se usa para os grupos que manifestam preferência pelo rito romano na forma extraordinária, ou seja, a Missa tridentina.

Segundo que eu juro que não entendo por que 11 de cada 10 referências ao Opus Dei na imprensa trazem junto o adjetivo "ultraconservador". Podem confirmar com o professor Pasquale: "Opus Dei" não exige adjetivo anexo.

E o que faz do Opus Dei "ultraconservador"? O que a Obra pede aos seus membros? Que sigam a doutrina da Igreja em sua integridade... e só. Juro que nunca vi uma única explicação (satisfatória ou não) para se chamar o Opus Dei de "ultraconservador". Curioso é que a matéria abre com um noviço beneditino. Em cinco anos, o moço "levará uma vida de clausura", como diz a reportagem. Mas não ocorre ao jornalista dizer que a Ordem de São Bento é "ultraconservadora". Também nunca ouvi nada semelhante sobre, por exemplo, carmelitas reclusas, ou os trapistas, que são ainda mais rígidos que os beneditinos. Agora, o Opus Dei, que exige muito menos de qualquer um de seus membros do que essas ordens religiosas, bom, o Opus Dei é "ultraconservador". Dá pra entender?

E, por fim, o Opus Dei surgiu muito, mas muito antes de João Paulo II. Karol Wojtyla tinha oito aninhos quando a Obra nasceu. De qualquer modo, praticamente todo fenômeno católico recente obrigatoriamente terá "proliferado" (tenho minhas restrições a esse verbo) durante o papado de João Paulo II, simplesmente porque ele ficou quase 30 anos no trono de Pedro.

Então está lançado o desafio: encontrar alguma publicação da grande imprensa que não coloque "Opus Dei" e "ultraconservador" (ou variantes) na mesma frase. Será que é possível?

Um comentário:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Definitivamente preciso entrar naquela comunidade do Orkut: "Leu na Veja, azar o seu!"

Que matériazinha tendenciosa!

Esse povo não se esforça pra escrever algo descente mesmo!
Como diz o nosso amigo Nabeto: "Espíritos de papagaio"!