domingo, 13 de abril de 2008

Agora, em defesa dos jornalistas

Os padres fazem besteira (e das grandes), e agora que a CNBB resolveu dar um pau neles, vêm chorando e dizendo "fomos distorcidos". Façam-me o favor.

Vocês devem se lembrar daquele Encontro Nacional de Presbíteros, em que o documento final, que seria enviado a Roma, pedia o fim da obrigatoriedade do celibato. Bom, aí o Estadão lascou um título que dizia Padres sugerem o fim do celibato.

Pois bem, agora que a CNBB analisou o documento e decidiu cortar as referências ao assunto na versão que será enviada a Roma, o presidente do Conselho Nacional de Presbíteros, padre Francisco dos Santos, em vez de assumir e dizer "é, fizemos bobagem", resolve atacar a imprensa. Afinal, como vocês sabem, um bom socialista, ainda que travestido de católico, nunca faz nada de errado. Tudo sempre é culpa dos outros: da imprensa canalha (como diz o Requião), da herança maldita, essas coisas. Padre Chico diz que o Estadão divulgou as coisas de maneira distorcida, pois afinal os padres não estavam pedindo que não houvesse mais celibatários. O pior foi ver o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio, embarcando na mesma lenga-lenga.

Eu não vi o jornal em papel no dia em questão, mas tenho certeza de que o editor não devia ter muito mais espaço do que os 32 toques, incluindo espaços, da frase escolhida para ser título da matéria. A crítica do padre Chico é coisa de quem não tem a menor idéia de como funciona um jornal. O padre deve achar que havia espaço para escrever um título parecido com "Padres sugerem o fim do celibato obrigatório, mas acham que não deve deixar de haver sacerdotes celibatários".

E, convenhamos, qualquer pessoa que acompanhe o assunto sabe o que a expressão "fim do celibato" quer dizer. Precisa ser muito sem noção para achar que o ENP quisesse que, daqui em diante, os padres fossem todos casados, ou obrigados a se casar na marra. Claro que a leitura correta da manchete era a de que os padres não queriam mais que o celibato fosse obrigatório. Existe aí uma elipse que, ao menos para mim, parece evidente: "fim do celibato" na verdade é "fim da obrigatoriedade do celibato". Mas "obrigatoriedade" é palavra grande demais para um título de jornal.

Esse blog só existe porque há jornalistas que cometem muita bobagem. Mas, pelo menos neste caso, a bobagem mesmo foi cometida é no Encontro Nacional de Presbíteros. Não venham tentar jogar a culpa nos jornais, agora.

4 comentários:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Pois é, Marcinho.

A CNBB tem dado cada furo...
E como vc mesmo disse, é mais fácil jogar a culpa nas costas dos outros a assumir os erros, mostrando um verdadeiro caráter de um ser humano. Só rezando (e denunciando) pra ver se as coisas tomam jeito...

Alexandre Magno disse...

Não sei o que aconteceu, porque também não li o que podia ter lido. Mas, justificar uma "possível" distorção argumentando que um título de matéria não poderia ser muito grande... Por favor! Isso é demais.

Anônimo disse...

Não é à toa que algumas pessoas costumam se referir à CNBB como CNB do B (he, he, he...)

pe. Luciano disse...

SOU P. LUCIANO MORAIS. FAÇO UMA TESE SOBRE DOM HÉLDER...
SEI QUE UM POSSÍVEL PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO DEVE SER ENCAMINHADO PELO BISPO LOCAL, ONDE ELE ESTAVA FIXADO. EU CREIO FIRMEMENTE PELO QUE TENHO LIDO DE DOM HÉLDER E SOBRE ELE QUE ELE É UM HOMEM DE DEUS E VERDADEIRA TESTEMUNHA PARA NÓS. OBRIGADO PELO SEU BLOG MUITO BONITO. PARABÉNS.
LUCIANO
ROMA/ITÁLIA