quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Estava demorando, não estava?


(Fico me perguntando o que esse cara diria se soubesse o que falam dele na imprensa atualmente)

Não comentei ontem por falta de tempo, mas claro que vi a matéria do Jornal Nacional sobre a exposição da Inquisição, já mencionada nesse blog. E lá vai a Ilze Scamparini dizer que o Galileu foi condenado, "entre outras coisas", por afirmar que a Terra girava em torno do Sol, "ao contrário do que a Igreja pregava". Bom, se foi realmente assim, me pergunto por que não sobrou também para um religioso chamado Nicolau Copérnico, que foi quem começou pra valer com essa coisa de que a Terra não era o centro do universo.

Quer saber o que realmente aconteceu com Galileu? Dispa-se do preconceito anti-Inquisição (se você tiver algum) e clique aqui para ler um ótimo (e comprido, então reserve um tempo) artigo sobre o assunto.

2 comentários:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Pois é. Eu não fui à aula ontem então assisti a matéria. O que me pasma é a preguiça que os noticiários tem (prefiro crer que é preguiça à qualquer outra coisa) de falar da Igreja sem antes saber o que de fato é mentira e o que não é...

Fogo, viu!

Eduardo Araújo disse...

Márcio, a historiografia marxista e iluminista da questão envolvendo Galileu e a Igreja é, em essência, uma farsa.

Além de sua pergunta (cabível) com relação a Copérnico, pergunte-se, também, porque o verdadeiro mentor da revolução científica, Johannes Kepler, é um senhor quase esquecido, em favor de um Galileu entronizado como mestre incontestável e mártir sofredor da ciência?

Também essa pergunta é cabível, pois Copérnico e o próprio Galileu estavam redondamente equivocados nos seus modelos planetários. O sistema copernicano, propriamente dito, é um imenso trambolho, conclusão a que se chega quem já lidou com a fonte primária - o De Revolutionibus, do cônego polonês. Um sistema de epiciclos sobre epiciclos e, ironicamente, órbitas circulares e movimentos de velocidade uniforme. Equivocadíssimo. Grotescamente equivocado.

Mas duvido que alguém sustente isso na mídia sem receber uma retaliação verbal sem precedentes.

Abreviando, para não abusar deste espaço: Galileu sequer defendia, a rigor, o trambolho copernicano, mas um modelo seu, bem mais simples, no entanto errado do mesmo modo. O seu comportamento intransigente na defesa desse modelo, culminando com as cinco "provas" absurdas apresentadas ao Santo Ofício mostram um espírito nada científico, o que sobrou em Kepler. Mas como este não teve confrontamento direto com a Igreja, não atendeu aos requisitos dos anticlericais na transmissão à posteridade de um Galileu "mártir" (!) e cientista íntegro e correto invariavelmente.

Engraçado, nunca li na imprensa, nem da lavra de cientistas na mídia qualquer referência ao verdadeiro conteúdo da obra de Copérnico ou das "provas" galileanas. O assunto assume as vezes de tema proibido. Pode ser favorável à Igreja, coisa impensável para os anti-religiosos destes tempos.

Saudações