sexta-feira, 27 de junho de 2008

A volta dos cátaros

Já houve um punhadinho de heresias ao longo dos séculos que pregavam uma Igreja apenas para os puros. O pecador aí não tinha lugar. Claro, seria um fracasso de público estonteante, pois provavelmente só a Virgem Maria (e, acho, São João Batista) teria lugar ali.

Cátaros sendo expulsos de Carcassone

Mas vejam só, a Veja Online acha que o Papa quer relançar a campanha para que só os puros tenham acesso pleno à Igreja:

Papa diz que só 'puros' devem receber a comunhão
Vejam um trechinho da reportagem:

Segundo ele, somente os "puros" e os que não estejam manchados pelo pecado podem receber a comunhão.
Pois bem, a notícia é do dia 23 - só estou comentando agora porque demorou um pouco para o Vaticano colocar a homilia na internet. Ela foi pronunciada via satélite, no encerramento do Congresso Eucarístico Internacional em Quebec, no Canadá (aliás, uma cidade muito simpática, recomendo a visita).

Acontece que o Papa não disse isso. O que ele disse é diferente:

This is why we must do everything in our power to receive him with a pure heart
(o Vaticano ainda não tem a homilia em português)

Ou seja, que nós devemos nos esforçar o máximo para receber a Eucaristia "com um coração puro". O pecado que nos impede de comungar é apenas o pecado grave, ou mortal. O pecado venial, como o Papa diz, realmente atrapalha a ação da Graça em nós, mas não é um impedimento para a comunhão.

O problema é alguém ler o texto da Veja Online e passar a ter crises de escrúpulos...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Como diria o Huck: qué, qué, qué, qué, quééééééééééé...

Uma vez me contaram que a Arquidiocese do Rio não deixa a Globo gravar novela dentro de suas igrejas. Se for verdade, é muito bem feito, porque afinal as novelas globais têm criado um padrão de comportamento lastimável na população brasileira.

Pois bem, o Ron Howard queria gravar dentro de igrejas romanas cenas do próximo filme baseado em livros do Dan Brown. Claro, ele acha que O Código Da Vinci não foi agressão suficiente. Só que levou um não na cara:

Vaticano impede filmagem de "Anjos e Demônios"


Só que, como é um texto da EFE, sempre tem de haver alguma imprecisão.
O Vicariato de Roma negou as permissões para que o diretor americano Ron Howard grave nas igrejas de Roma cenas do filme "Anjos e Demônios", adaptação do livro de mesmo título de Dan Brown que tem como protagonista o ator Tom Hanks.
Pois é: Vicariato de Roma é uma coisa; Vaticano é outra. A decisão foi interna, da diocese. Se bem que o bispo de Roma deve ter achado é muito bom...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tem gente que acha um jeito de colocar a Igreja em tudo

Assim como o Orlando Fedeli, que vê em tudo um pretexto para criticar o Concílio Vaticano II, o El País parece usar de todas as oportunidades para jogar uns dardinhos na Igreja.

Pois bem, em um texto* sobre um bafafá que deu na França laicista e anti-religiosa sobre um divórcio civil concedido porque a noiva enganou o noivo (ambos muçulmanos) sobre sua virgindade, o repórter ainda me saiu com essa no fim:
Para o judaísmo as relações íntimas antes do casamento estão proibidas pela halakha (lei judaica) porque o sexo não pode ter outro objetivo além da procriação. O catolicismo não é mais aberto e critica inclusive a "castidade conjugal". O islamismo também exige a "pureza" mas admite o arrependimento quanto aos "deslizes" anteriores ao casamento, se houver a intenção de uma reparação. O integrismo força a interpretação das coisas.
Peraí. "Critica a castidade conjugal"? Engraçado que o repórter não explicou o que seria a "castidade conjugal", e nem quando foi feita a sua "crítica". Eu imagino que seja porque o repórter não faz a menor idéia do que está falando -- afinal, lembrem-se, ele é do El País.

Aí eu me lembro de quando o Papa esteve aqui e falou, acho que no Pacaembu, da castidade "dentro do casamento" -- incentivando, não criticando -- e todo mundo entendeu errado. Quer dizer, todo mundo menos os católicos de verdade, que entenderam exatamente o que o Papa queria dizer...

* Não deixei o link porque parece que está restrito a assinantes do UOL. Eu recebi essa pérola por e-mail.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A culpa sempre é do Concílio Vaticano II

Ícone da Comunhão dos Apóstolos, igreja de São Nicolau, em Curtea de Arges (Romênia), c. 1350. Antes que alguém pergunte "viu? Jesus não colocava a hóstia na boca deles", eu respondo que, como bispos, os Apóstolos podiam, sim, pegar o Santíssimo Sacramento com as mãos.

Saiu no Diário de Natal, que por sua vez cita o Correio Braziliense:
Bento XVI restaura a comunhão de joelhos

Diante de 70 mil pessoas, o papa Bento XVI fez história domingo durante a celebração de uma missa em Brindisi, cidade situada na região sudoeste da Itália. No momento da comunhão, o pontífice restaurou o costume de entregar a hóstia consagrada aos fiéis ajoelhados. Apenas os diáconos puderam comungar de pé, diante do líder da Igreja. O gesto, de forte apelo simbólico, resgatou uma tradição abandonada havia 43 anos, quando a reforma litúrgica definida pelo Concílio Vaticano II determinou que os peregrinos receberiam a hóstia de pé e nas mãos. A partir de agora, todos os católicos escolhidos pela Santa Sé para a comunhão com o papa terão de se ajoelhar diante de um reclinatório e receber a eucaristia diretamente na boca.

Bento XVI já havia feito o mesmo na missa de 22 de maio, celebrada na Igreja de São João Latrão, em Roma. Como o número de fiéis presentes era menor, a atitude teve pouca ou quase nenhuma repercussão. "Nós, os cristãos, nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento (a hóstia) porque, nele, sabemos e acreditamos estar na presença do único e verdadeiro Deus", afirmou o papa, naquela ocasião. "Estou convencido da urgência de dar novamente a hóstia diretamente na boca aos fiéis, sem que a toquem, e de voltar à genuflexão no momento da comunhão como sinal de respeito", acrescentou.

A assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou ao Correio que ainda não recebeu qualquer comunicado do Vaticano sobre a inclusão dos 125 milhões de brasileiros católicos na mudança litúrgica. "Resta saber se essa é uma norma ou uma orientação do Santo Padre", declarou a entidade. Ainda que a determinação valha apenas para fiéis que comungarem diretamente das mãos do pontífice, ela reforça a tendência de Bento XVI em recuperar partes mais tradicionalistas do ritual, que caíram em desuso com o tempo.

Em três anos de pontificado, o papa manteve-se fiel ao antigo cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: condenou o casamento homossexual e o aborto e exigiu que as pesquisas genéticas respeitem a vida. Mas a medida mais surpreendente até então foi o relançamento da missa em latim, com base no rito tridentino (em que o sacerdote fica de costas para os fiéis e faz a celebração no idioma milenar). Em vigor desde 14 de setembro, a norma foi bem recebida pela área mais conservadora da Igreja Católica. (Correio Braziliense)
Primeiro, que o Papa não restaurou coisa nenhuma. Até onde eu me lembro, e eu vi muuuuitas missas papais pela televisão, as pessoas também se ajoelhavam pra receber a comunhão das mãos de João Paulo II.

Segundo, que o Concílio Vaticano II não tem absolutamente nada a ver com comunhão nas mãos ou na boca, em pé ou de joelhos. Aquele pequeno trecho da reportagem concentra inúmeros erros:
  • absolutamente nenhum texto conciliar determina a comunhão em pé ou na mão;
  • o concílio terminou em 1965, e a reforma litúrgica é de 1969;
  • mesmo segundo o missal de Paulo VI, o modo padrão de receber a comunhão é na boca; só se pode dar a comunhão na mão em locais onde o Vaticano permitiu, depois de um pedido formal da conferência episcopal local.

    Ah, claro, o nome daquele negócio onde se ajoelha é genuflexório.

    E consultar a CNBB sobre o assunto pode parecer meio superficial (como quando o Jornal de Santa Catarina perguntou ao arcebispo de Florianópolis se ele podia fazer alguma coisa em relação à revolta de paroquianos na Vila Nova, diocese de Blumenau), mas revelou que até os bispos estão confusos. A comunhão de joelhos já é uma norma. Só que, no Brasil, existe a permissão para se comungar em pé.

    Por fim, sempre a confusão entre "missa em latim" e "missa tridentina". Eu acho que vou desistir de tentar convencer meus colegas que de no rito tridentino o padre celebra "de frente para Deus", e não "de costas para o povo". Por incrível que pareça, o redator da matéria acertou o mais difícil: a data em que a Summorum Pontificum entrou em vigor.

    Qual é realmente a novidade da matéria? A defesa explícita que o Papa fez da comunhão de joelhos e na boca. Isso sim deveria ter sido realçado, pois o fato de as pessoas receberem a comunhão do Papa ajoelhadas já chega a ser corriqueiro nas celebrações papais (e a própria matéria ressalta que o acontecimento de Brindisi não foi o primeiro).
  • quarta-feira, 11 de junho de 2008

    Mas até o jornal da diocese??

    Fiquei pensando um tempo sobre como eu começaria esse post. E então me veio uma analogia.

    Resumindo o assunto, digamos que a diocese de Blumenau está para os abusos litúrgicos como o PT está para a mentira, a corrupção e a ladroagem. Deus que me perdoe por isso, mas às vezes a coisa é tão absurda que eu acabo me distraindo do Santo Sacrifício, como naquela vez em que, depois da consagração, o padre substituiu o restante da Oração Eucarística por uma música de uma dupla sertaneja que estava lançando seu CD.

    Mas, bem, o assunto aqui é jornalismo. E a diocese de Blumenau tem um jornalzinho. Antes não tivesse, porque aí eu não teria o desgosto de ler tanta coisa ecumaníaca e notinhas como essa:


    Galileu no Vaticano

    Galileu Galilei, físico italiano condenado pela Santa Inquisição da Igreja Católica em 1633 por defender idéias heliocêntricas, e totalmente reabilitado no pontificado de João Paulo II, ganhará, em 2009, uma estátua nos jardins do Vaticano. A estátua, retratando o próprio Galileu, será colocada próxima à Casa de Pio IV, no alto da colina que aponta para a cúpula da Basílica de São Pedro. O projeto nasceu de uma idéia dos membros da Pontifícia Academia de Ciências para homenagear o físico italiano, no ano internacional da Astronomia, proclamado pela ONU para comemorar a primeira utilização de um telescópio por parte do mesmo Galileu. O físico descobriu que a Terra não era imóvel, mas mantinha um movimento de rotação. Com suas descobertas, Galileu contradisse dogmas sustentados pelos cientistas e pela Igreja de então. Condenado como herege, foi obrigado a negar suas teorias em 1633. Ao contrário de Giordano Bruno (1548-1600), queimado pela Inquisição 33 anos antes, por sustentar idéias semelhantes, Galileu sobreviveu.
    Convenhamos, o índice de erros por centímetro de coluna na notinha é alarmante.

  • O geocentrismo nunca foi dogma católico; Galileu questionou, sim, dogmas católicos, mas de outra ordem;

  • Galileu não "sobreviveu" -- o fato é que sua vida nunca esteve em risco. A escolha do verbo pelo redator dá a entender que a Inquisição era uma máquina assassina, e que cair em suas "garras" e não ser queimado seria um feito espetacular, tipo fugir de Alcatraz;

  • E, obviamente, a condenação de Galileu não teve nada a ver com heliocentrismo.

    Conclusão: se tanta asneira tivesse sido escrita pelo André Petry na Veja, eu não me surpreenderia (mas apareceria no blog do mesmo jeito). Mas em um jornal de diocese?

    Em tempo: eu já havia falado do processo de Galileu aqui.
  • quinta-feira, 29 de maio de 2008

    Quando crescer quero ser como ele

    Na manhã de hoje, Reinaldo Azevedo também escreve em seu blog sobre a demonização da Igreja Católica feita pela imprensa quando insiste em lembrar que Carlos Alberto Direito é "católico fervoroso". O texto vale muito a pena - já a maioria dos comentários parece ser feita por gente que simplesmente não leu o que o Reinaldo escreveu (ou, se leu, não entendeu).

    quarta-feira, 28 de maio de 2008

    E não é que ele existe mesmo?

    Os cassetas sempre fazem algum trocadilho com os nomes dos jornalistas da Globo, e é assim que Alexandre Garcia virou Alexandre Gracinha, interpretado pelo Beto Silva (infelizmente não achei fotos). Antes fosse só piada: Alexandre Gracinha existe de verdade e apareceu hoje cedo, no Bom Dia Brasil, falando ao vivo de Brasília sobre o julgamento das células-tronco embrionárias no STF (que ainda está rolando, até onde eu sei).

    Primeiro ele começou lembrando que tanto o ministro Carlos Direito quanto o ex-procurador-geral Cláudio Fonteles são "católicos fervorosos". Raios, o que isso tem a ver com a história? Por que só eles aparecem na imprensa com esse aposto? Por que não procuram saber a religião dos outros ministros, ou da Mayana Zatz? Por exemplo, o ministro Ayres Britto, aquele que redigiu um voto antalógico, é seguidor de um tal Osho, mas se depender do Alexandre Gracinha, e de todo o resto da imprensa, ninguém ficaria sabendo. "Ah, mas no voto dele não tem citações do Osho, então a religião do Ayres é irrelevante", alguém pode dizer. Então tá: na Adin do Fonteles e na argumentação do Carlos Direito também não há citações de encíclicas papais - é só fundamento jurídico e científico. São textos que poderiam ter sido escritos por um protestante, um judeu, um budista, um ateu... mesmo assim, 110% das menções ao ministro e ao ex-procurador-geral vêm com o "católico fervoroso" quase como se fosse um sobrenome.

    Aí a apresentadora pergunta o que acontece com os embriões se o Supremo der razão ao Fonteles. Então o Gracinha responde que vão pro lixo, ponto. Não que "poderiam" ir pro lixo: eles vão. E, indo pro lixo, acabariam com a esperança de tantas pessoas que esperam a cura para seus problemas (isso apesar de as células embrionárias até hoje não terem mostrado resultado nenhum) - e o Gracinha arremata com sua tentativa de teologia, lembrando que a esperança é uma das virtudes teologais, ao lado da fé e da caridade, caridade que precisaria ser exercida para com os portadores de doenças "curáveis" com o uso de embriões.

    Decerto o Gracinha deve ter terminado a entrada ao vivo pensando "nossa, arrasei com esse negócio das virtudes". É, arrasou com o bom senso. Vamos rapidinho ao Compêndio do Catecismo da Igreja Católica para comprovar que a virtude teologal da esperança é algo muito diferente de esperar que, matando embriões, se consiga a cura para Parkinson, Alzheimer ou que se faça um paraplégico voltar a andar.

    387. O que é a esperança?

    1817-1821;
    1843

    A esperança é a virtude teologal por meio da qual desejamos e esperamos de Deus a vida eterna como nossa felicidade, colocando a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos na ajuda da graça do Espírito Santo para merecê-la e perseverar até ao fim da vida terrena.
    (ah, sim, aproveite para verificar que "caridade" também não tem nada a ver com destroçar seres humanos para pesquisas que até agora não deram em nada)

    Conclusão: na época em que os repórteres apenas não sabiam o que era um cardeal, mas ainda não se metiam a dar uma de teólogos, eu era feliz e não sabia.

    domingo, 18 de maio de 2008

    Meus colegas andam muito preguiçosos

    Está rodando por aí a notícia de que a Justiça baiana mandou recolher livros do monsenhor Jonas Abib. Quem me conhece sabe que não morro de amores pela RCC, especialmente pelos abusos litúrgicos e pela "ordinarização do extraordinário", mas o assunto não é esse. Essa matéria do Terra segue a mesma linha de tudo o mais que eu já li sobre o assunto:

    Justiça da Bahia manda recolher livro de padre

    A acusação:

    O promotor Almiro Sena alegou que Abib faz "afirmações inverídicas e preconceituosas à religião espírita e às religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, além de flagrante incitação à destruição e ao desrespeito aos seus objetos de culto".
    E a matéria fica por aí. Será que nenhum repórter teve a capacidade de conseguir um exemplar do livro para verificar se as afirmações do promotor têm procedência? Só porque o promotor falou, é isso mesmo? Como é que temos na imprensa trechos completos da tal carta do Einstein leiloada recentemente, mas não temos uma linha sequer do livro censurado? Com a resposta, os repórteres.

    quarta-feira, 14 de maio de 2008

    O povo do El País precisa se decidir

    Tá aí um filme realmente bom!

    No domingo o El País resolveu publicar um perfil de um padre exorcista espanhol. A matéria está muito bem escrita, inclusive.

    Mas, como era de se esperar do El País, os jornalistas de lá continuam sem fazer a menor idéia das coisas que o Papa diz ou deixa de dizer:

    Pese a sus relaciones con los demonios, Fortea coincide con el Papa en que el infierno, como lugar concreto, no existe.
    Vamos ver com cuidado. Então, diz o El País que, segundo Bento XVI, o inferno, como lugar concreto, não existe. Mas em fevereiro desse ano o mesmíssmo El País publicou o seguinte:

    El papa Benedicto XVI ha asegurado que el infierno existe y no está vacío. No es anuncio nuevo, en 2007 ya mencionó la existencia del infierno como lugar, algo que su antedecesor, Juan Pablo II, había rechazado.
    Lembram disso? Eu comentei essas matérias à exaustão em fevereiro, consultem o arquivo do blog. Inclusive demonstrei que não existe contradição nenhuma entre as palavras de Bento XVI e de João Paulo II.

    Mas, para o El País, em fevereiro Bento XVI diz que o inferno é um lugar; em maio, Bento XVI não acredita no inferno como um lugar. O que eu acho é que são os jornalistas espanhóis que não sabem do que estão falando. Vai ver estão com o diabo no corpo.

    O L'Osservatore precisa parar de publicar entrevistas



    Lembram do monsenhor Girotti, "vice" da Penitenciaria Apostólica? Ele deu uma entrevista despretensiosa para o L'Osservatore Romano e logo depois o mundo estava perplexo com a "lista dos novos pecados capitais" - cortesia da BBC.

    Pois é. Agora quem deu entrevista ao jornal vaticano foi o padre José Gabriel Funes, diretor do observatório astronômico do Vaticano. E aí a BBC Brasil, sempre ela, me lasca o seguinte título em sua matéria:

    Vaticano admite que pode haver vida fora da Terra
    Como se percebe, a BBC tem o vício de atribuir à Igreja Católica qualquer declaração de alguém que esteja dentro dos muros (ou em Castelgandolfo, onde fica o observatório). Sejamos honestos: o Vaticano não admitiu nada. O padre Funes não fala em nome da Santa Sé, e sim como astrônomo e estudioso. Só isso.

    O Terra não quis ficar atrás:

    É possível crer em Deus e extraterrestres, diz padre
    O problema desse título é que não se "crê" em Deus da mesma forma como se "crê" em ETs. A existência de ETs é um dado cientificamente comprovável, ao contrário da existência de Deus, que, embora possa ser captada pela razão, não pode ser provada em laboratório.

    Além disso, o Terra lasca um

    Jesus reencarnou uma vez para todos. A reencarnação é um evento único e não pode ser repetido
    que só pode ser erro de tradução, pois é uma frase incoerente em si mesma. Se é um evento único que não se repete, é a encarnação, e não a reencarnação. Além disso, católicos não acreditam em reencarnação.

    O Terra diz ter pego as informações da Ansa, então lá fui eu atrás da agência italiana, e descubro que eles conseguiram fazer pior que os brasileiros!

    Vatican: 'God made aliens too'

    Quer dizer, deixou de ser possibilidade para ser certeza!

    (ANSA) - Vatican City, May 13 - God made not only Man but also any other intelligent life in the Universe, the Vatican's top astronomer said Tuesday.

    "Just as there is a multiplicity of creatures on Earth there could be other beings, intelligent ones, created by God," Father José Gabriel Funes told Vatican daily L'Osservatore Romano.
    Vejam que, na hora das aspas do padre, fala-se de possibilidade. Mas no primeiro parágrafo o tempo verbal empregado já dá a idéia de certeza... então rezemos pela alma dos ETs, sejam os de filme, o de Varginha, o chupa-cabra e todos os outros!

    sexta-feira, 9 de maio de 2008

    Tem horas em que é bom não ter televisão por assinatura

    Domingo que vem o Discovery Channel vai apresentar um programa chamado Continente da Esperança. Não entendi direito se é uma série, ou se é apenas um único programa.

    Mas só de ler a sinopse eu acho que vou ganhar mais vendo Fantástico, ou qualquer mesa redonda analisando a primeira rodada do Brasileirão da Série B (que é o que interessa). O Discovery quer descobrir por que o número de católicos diminui e por que faltam padres. Garanto que sobre isso eles terão entrevistado o Fernando Altemeyer, a Ivone Gebara, o Leonardo Boff, o frei Betto, o Marcelo Barros, um monte de CEBeiros... não conto muito com a hipótese de ver no programa gente do porte de dom Eugênio Sales, dom José Cardoso Sobrinho...
    E provavelmente vão apontar como causas do declínio de católicos a rigidez moral da Igreja, o centralismo de Roma, a liturgia engessada no modelo europeu (que não permite a tal "inculturação"), essas coisas. Quando as verdadeiras causas (a Teologia da Libertação, a perda de significado do sacerdócio, o relativismo moral), essas vão passar batidas pelos repórteres do Discovery.

    O fim do texto que apresenta o programa no site é de matar:

    A situação é tão preocupante que cerca de 70% das missas dominicais no País são celebradas sem padres.
    Só para deixar bem claro: a estatística está completamente errada porque sem padre, não existe missa! Lembram daquela matéria da Globo sobre a assembléia da CNBB, que começava com um leigo de jaleco fazendo celebração da palavra e depois um fiel dizendo que "é a mesma coisa, o que importa é o coração"? Pois bem, que um fiel com formação deficiente diga isso é uma coisa; que um repórter que deveria entender do assunto que cobre diga isso é outra coisa, bem pior.

    terça-feira, 6 de maio de 2008

    O que deu na Ilze Scamparini?

    Domingo, no Fantástico, lá foi ela à Áustria visitar a cidade onde o Josef Fritzl trancava a filha (para ficar na parte light da coisa). Em um dado momento, ela se refere à Áustria como "país católico". De fato, parece que realmente a maioria da população austríaca é católica. Mas a referência, naquele contexto, ficou esquisita. Como se atrocidades como aquelas não ocorressem em países não católicos.

    Só faltava ela dizer que o sujeito tinha o mesmo primeiro nome do Papa...

    domingo, 4 de maio de 2008

    O santo guerreiro

    Saiu hoje no G1:

    Santo padroeiro do Corinthians também foi "rebaixado", mas não perdeu santidade


    São Jorge segundo Rafael Sanzio

    Brincadeiras à parte com meu time, vamos ver o texto com atenção. Uma das primeiras coisas que o repórter esclarece é que não existe "dessantificação".

    Mas depois, como é de costume, colocam nas costas do Vaticano II todo tipo de coisa:


    A situação mudou consideravelmente após o Concílio Vaticano Segundo (1962-1965), reunião que deu novos rumos à Igreja no século 20. Os líderes católicos decidiram dar mais peso à Bíblia e à figura de Cristo nas missas e demais celebrações religiosas, diminuindo a ênfase nas festas relacionadas a santos. Apenas as mais importantes, como as que envolvem São Pedro e São Paulo, considerados os principais líderes do cristianismo primitivo, continuaram a ser celebradas pela Igreja no mundo inteiro.
    Primeiro, que na Missa a ênfase sempre esteve na Bíblia e em Cristo. Segundo que ainda existe um grande bocado de festas consideradas obrigatórias pela Igreja em todo o mundo. Se fossem só as dos Apóstolos e de mais um ou outro santo, sobraria muito pouco. Mas basta pegar o Diretório Litúrgico da CNBB para ver o bocado de memórias obrigatórias que ainda estão lá.

    E o padre Oscar Beozzo também comete seu escorregão:


    Outros santos tiveram o mesmo destino, como Santa Filomena, que começou a ser venerada a partir de 1808 com a descoberta de seu nome numa das catacumbas. "Mas, nesse caso, ela nem tinha chegado a ter um dia oficial de festas", diz o historiador da Unicap. "Quem era devoto de Santa Filomena realmente ficou meio perdido", diz o padre Beozzo.
    Segundo a Enciclopédia Católica, Gregório XVI (Papa de 1830 a 1846) instituiu sim a festa de Santa Filomena, em 9 de setembro. E seu túmulo foi descoberto em 1802, não em 1808.

    Convenhamos, podia ter sido muito pior. Podiam dizer, como já vi por aí, que a Igreja teria deixado de reconhecer São Jorge como santo. O resultado final até que é bom. Agora, descobri que o G1 tem uma série de reportagens chamadas "Ciência da Fé". Vou ler mais e depois conto aqui o que descobri.

    sexta-feira, 2 de maio de 2008

    Milagre!

    Vi ontem as reportagens do Jornal da Band e do Jornal Nacional sobre a tal pesquisa da UnB e Uerj sobre o perfil das mulheres que abortam. Achei estranho isso ter aparecido na televisão só ontem, pois no jornal eu me lembro de ter visto algo sobre o assunto na semana retrasada.

    De qualquer maneira, achei incrível o fato de nenhuma das duas matérias ter entrevistado alguém das Diabas pelo Direito de Matar para dar o seu pitaco. O mundo ainda tem salvação!

    E vá lá, as reportagens deixaram de fazer uma distinção importante entre ser católico e se dizer católico - sabemos que, ultimamente, existe um abismo enorme entre essas duas coisas.

    Por fim, vejam vocês, não é que as adolescentes são mais responsáveis que mulheres de 20 a 29 anos mães de família?

    domingo, 27 de abril de 2008

    Freeedom, como diria William Wallace

    Passei as duas últimas semanas dando jornada dupla no jornal: como editor de Vestibular e editor-assistente de Vida e Cidadania (o popular "primeiro caderno"). Chegava em casa sem vontade de abrir o micro. Mas isso acabou.

    E volto à ativa com um artigo do André Petry (de novo). Dica da Cristina. Na verdade nem tentei procurar na Veja, achei no Google mesmo. É sobre a visita do Papa aos Estados Unidos. Petry diz que nada do que o Papa tem feito até agora é suficiente para reparar o escândalo de pedofilia (e olha que muitos dos casos nem eram pedofilia, e sim homossexualismo mesmo, já que a "vítima" era maiorzinha e sabia muito bem o que fazia).

    Pois bem, a certa altura o Petry diz:

    até hoje o Vaticano não mudou o código canônico, no qual consta tudo o que impede um padre de manter-se padre ou virar padre. A saber: homicídio, automutilação, tentativa de homicídio ou auxílio a aborto. Abuso sexual pode? Pode. Pedofilia pode? Pode.
    Dizer uma coisa dessas é canalhice pura. Petry está falando do cânon 1041, o que enumera impedimentos para alguém receber o sacramento da Ordem. Agora, concluir que só porque pedofilia não está na lista a Igreja faça vista grossa para o fato é manipular o texto canônico de maneira torpe. Se bem que, se considerarmos a pedofilia como uma desordem psíquica, os pedófilos estariam, sim, impedidos de receber o sacramento porque cairiam no item 1 do cânon 1041 - item, aliás, que o Petry esqueceu, ou quis esquecer, de mencionar.

    Se bem que, dos inimigos da Igreja, o que eu menos espero é compromisso com a verdade...

    terça-feira, 15 de abril de 2008

    O Papa nos Estados Unidos...

    ... e o Luís Fernando Silva Pinto, no Jornal Nacional, acaba de dizer que o Papa, como George W. Bush, "é contra o aborto, o casamento entre homossexuais e a pesquisa com células-tronco." Sim, ponto final depois de "tronco", sem a necessária adição do "embrionárias". Deus do céu, será possível?

    segunda-feira, 14 de abril de 2008

    E agora, em defesa da CNBB

    Só esclarecendo uma coisa no caso da carta do ENP, já que tem gente nos comentários malhando a CNBB. No caso em questão, os bispos do Brasil agiram corretamente. Foram eles que determinaram que o documento do Conselho Nacional de Presbíteros (o que será levado a Roma) não traga pedidos de flexibilização do celibato. De quebra, a CNBB também vetou a referência à canonização de dom Helder Câmara e outras personalidades do clero brasileiro.

    O que aconteceu foi que dom Geraldo Lyrio comprou a lenga-lenga do presidente do CNP de que o Estadão teria "distorcido" o pedido dos padres no documento. Mas que o saldo final do episódio é amplamente positivo para a CNBB não se pode negar.

    domingo, 13 de abril de 2008

    Agora, em defesa dos jornalistas

    Os padres fazem besteira (e das grandes), e agora que a CNBB resolveu dar um pau neles, vêm chorando e dizendo "fomos distorcidos". Façam-me o favor.

    Vocês devem se lembrar daquele Encontro Nacional de Presbíteros, em que o documento final, que seria enviado a Roma, pedia o fim da obrigatoriedade do celibato. Bom, aí o Estadão lascou um título que dizia Padres sugerem o fim do celibato.

    Pois bem, agora que a CNBB analisou o documento e decidiu cortar as referências ao assunto na versão que será enviada a Roma, o presidente do Conselho Nacional de Presbíteros, padre Francisco dos Santos, em vez de assumir e dizer "é, fizemos bobagem", resolve atacar a imprensa. Afinal, como vocês sabem, um bom socialista, ainda que travestido de católico, nunca faz nada de errado. Tudo sempre é culpa dos outros: da imprensa canalha (como diz o Requião), da herança maldita, essas coisas. Padre Chico diz que o Estadão divulgou as coisas de maneira distorcida, pois afinal os padres não estavam pedindo que não houvesse mais celibatários. O pior foi ver o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio, embarcando na mesma lenga-lenga.

    Eu não vi o jornal em papel no dia em questão, mas tenho certeza de que o editor não devia ter muito mais espaço do que os 32 toques, incluindo espaços, da frase escolhida para ser título da matéria. A crítica do padre Chico é coisa de quem não tem a menor idéia de como funciona um jornal. O padre deve achar que havia espaço para escrever um título parecido com "Padres sugerem o fim do celibato obrigatório, mas acham que não deve deixar de haver sacerdotes celibatários".

    E, convenhamos, qualquer pessoa que acompanhe o assunto sabe o que a expressão "fim do celibato" quer dizer. Precisa ser muito sem noção para achar que o ENP quisesse que, daqui em diante, os padres fossem todos casados, ou obrigados a se casar na marra. Claro que a leitura correta da manchete era a de que os padres não queriam mais que o celibato fosse obrigatório. Existe aí uma elipse que, ao menos para mim, parece evidente: "fim do celibato" na verdade é "fim da obrigatoriedade do celibato". Mas "obrigatoriedade" é palavra grande demais para um título de jornal.

    Esse blog só existe porque há jornalistas que cometem muita bobagem. Mas, pelo menos neste caso, a bobagem mesmo foi cometida é no Encontro Nacional de Presbíteros. Não venham tentar jogar a culpa nos jornais, agora.

    sexta-feira, 11 de abril de 2008

    Isso que dá botarem repórter LEIGO no assunto...

    Acabei de ver a matéria do Jornal Nacional sobre o encerramento da Assembléia Geral da CNBB, em Itaici. Infelizmente não tem link. Ou talvez felizmente, porque a matéria é um desastre.

    Começa com uma dessas "celebrações da palavra" que infestam (sim, o verbo é esse mesmo) o país, comandada por uma mulher que distribui comunhão, etc. etc. Aí me vem um sujeito que diz "é a mesma coisa [que missa celebrada por padre], o que importa é o coração". E aí vem a ministrete (copyright Carlos Ramalhete) explicando que a paróquia tem 28 comunidades e dois padres, então tem que ser daquele jeito.

    Aí já cabem duas observações:

    Bom, eu sei, você sabe, que celebração da palavra e Missa não são a mesma coisa nem aqui, nem em Júpiter. Mas isso pouco importa para a reportagem. Tudo bem que não chega a ser obrigação do repórter esclarecer os telespectadores sobre a forma certa de cumprir o terceiro mandamento - essa obrigação é do bispo do lugar e dos dois padres da paróquia. Também é do fiel, que deveria correr atrás de formação. Mas se os pastores não se encarregam de dizer que não, não é a mesma coisa, o fiel fica parcialmente desculpado. Parcialmente.

    E, convenhamos, paróquia com dois padres já está muito acima da média nacional. Estão reclamando do quê? A não ser que a paróquia tenha o tamanho de Minas Gerais, dois padres podem muitíssimo bem dar conta de garantir que suas 28 comunidades cumpram adequadamente o preceito dominical. Têm a tarde de sábado e o domingo inteiro para isso.

    Mas aí segue a reportagem, e o intrépido jornalista nos explica que "leigo" é aquela pessoa não-ordenada que desempenha serviços na Igreja. Espero que não tenhamos uma legião de telespectadores passando por crise de identidade. Eu, por exemplo, não uso jaleco para distribuir a Eucaristia na missa; não participo de nenhum "ministério" de música, sequer do coral da Madalena; não faço jornalzinho de paróquia. E também não sou ordenado. Sou o que, então? Mas felizmente o repórter se engana. Para ser leigo, basta não ser ordenado ou religioso/a. Até o repórter, se for católico, também é leigo, embora eu ache que ele não saiba disso.

    Daí pra frente a coisa fica um mero relato do que houve em Itaici. Também ficamos sabendo que, para atender decentemente todas as paróquias brasileiras, precisaríamos de três vezes o número atual de padres. Olha, eu acho que a estatística é falsa. Porque, se pegarmos todos os padres que hoje gastam tempo apoiando invasão de terra, escrevendo artigos e livros pró-heresia da Libertação, "ganhando o coração" de garotões com Pajeros, dando aula de "teologia" modernista nas PUCs da vida, e colocássemos diante dos altares e dentro dos confessionários, tenho a impressão de que daria, sim, pra atender as necessidades dos fiéis. Isso, claro, porque eu acredito que os fiéis necessitam é da salvação da sua alma, e não da revolução socialista.

    quarta-feira, 9 de abril de 2008

    Tem coisas que a gente nem precisa ler

    No fim de semana passado, estávamos a Cristina e eu no supermercado quando, na fila do caixa rápido, descobrimos o número mais recente de Aventuras na História, um dos filhotes da Super (o outro é a Revista das Religiões, que até há um tempo era editada pela minha veterana Maria Fernanda. Agora não sei mais como está).

    O Fernando Tavolaro conseguiu pra mim um jpg da capa:



    Acho que só de olhar dá pra concluir, sem nem mesmo ler a matéria, que o repórter nem chegou perto de A Inquisição em Seu Mundo...

    quinta-feira, 3 de abril de 2008

    Quando é que a imprensa vai nos pedir perdão?

    Ontem, como sabemos, foi o terceiro aniversário da morte de João Paulo II. E o SBT resolveu soltar um SBT Repórter sobre o Papa. Peguei no meio, na parte em que falava das viagens à África. Bom, fora a seleção musical no mínimo questionável (o Peer Gynt ficou bem deslocado, e o que tem o Dies Irae do Requiem do Mozart a ver com a divulgação da terceira parte do segredo de Fátima?), o César Filho passou uns bons minutos repetindo aquela mesmíssima lenga-lenga, que os católicos já cansaram de ouvir, sobre o "pedido de perdão pelos erros da Igreja".

    Raios! Que erros da Igreja? Qualquer alfabetizado que saiba ler e depare com o texto lido pelo Papa perceberá que os erros são de pessoas da Igreja, e não da Igreja. A Igreja, como sabemos, não erra por ser o Corpo Místico de Cristo.

    Caso alguém ainda tenha dúvida, favor consultar a homilia do 1.º domingo da Quaresma de 2000:

    Como Sucessor de Pedro, pedi que "neste ano de misericórdia a Igreja, fortalecida pela santidade que recebe do seu Senhor, se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos" (ibid.). Este primeiro domingo da Quaresma pareceu-me a ocasião propícia para que a Igreja, reunida espiritualmente à volta do Sucessor de Pedro, implore o perdão divino para as culpas de todos os crentes. Perdoemos e peçamos perdão!

    (...)

    4. Perdoemos e peçamos perdão! Enquanto louvamos a Deus que, no seu amor misericordioso, suscitou na Igreja uma maravilhosa messe de santidade, de ardor missionário, de total dedicação a Cristo e ao próximo, não podemos deixar de reconhecer as infidelidades ao Evangelho, nas quais incorreram alguns dos nossos irmãos, especialmente durante o segundo milénio.
    Onde é que se fala de "culpas da Igreja" aí? Só se fala dos erros de pessoas, e não da Igreja.

    Quando é que esses veículos de comunicação vão nos pedir perdão por distorcer desse jeito as palavras de João Paulo II?

    terça-feira, 1 de abril de 2008

    Haja conserva!

    O blog volta à ativa, depois da loucura que foi a mudança no layout da Gazeta do Povo, com uma matéria da Veja.

    A fé que move os jovens

    A matéria até que está entre "decente" e "boa" (inclusive dando um merecido pau nos teólogos da libertação), exceto por uma série de escorregões concentrados numa única parte do texto:

    A nova tendência vocacional tem provocado a expansão dos movimentos católicos tradicionalistas, como a radical Fraternidade de Aliança Toca de Assis e o ultraconservador Opus Dei, única organização com status de ser prelazia pessoal do papa. Esses grupos começaram a proliferar durante o papado de João Paulo II e hoje, com as bênçãos de Bento XVI, continuam a arrebanhar vocações, sem proselitismo declarado.
    Primeiro que "tradicionalista" se usa para os grupos que manifestam preferência pelo rito romano na forma extraordinária, ou seja, a Missa tridentina.

    Segundo que eu juro que não entendo por que 11 de cada 10 referências ao Opus Dei na imprensa trazem junto o adjetivo "ultraconservador". Podem confirmar com o professor Pasquale: "Opus Dei" não exige adjetivo anexo.

    E o que faz do Opus Dei "ultraconservador"? O que a Obra pede aos seus membros? Que sigam a doutrina da Igreja em sua integridade... e só. Juro que nunca vi uma única explicação (satisfatória ou não) para se chamar o Opus Dei de "ultraconservador". Curioso é que a matéria abre com um noviço beneditino. Em cinco anos, o moço "levará uma vida de clausura", como diz a reportagem. Mas não ocorre ao jornalista dizer que a Ordem de São Bento é "ultraconservadora". Também nunca ouvi nada semelhante sobre, por exemplo, carmelitas reclusas, ou os trapistas, que são ainda mais rígidos que os beneditinos. Agora, o Opus Dei, que exige muito menos de qualquer um de seus membros do que essas ordens religiosas, bom, o Opus Dei é "ultraconservador". Dá pra entender?

    E, por fim, o Opus Dei surgiu muito, mas muito antes de João Paulo II. Karol Wojtyla tinha oito aninhos quando a Obra nasceu. De qualquer modo, praticamente todo fenômeno católico recente obrigatoriamente terá "proliferado" (tenho minhas restrições a esse verbo) durante o papado de João Paulo II, simplesmente porque ele ficou quase 30 anos no trono de Pedro.

    Então está lançado o desafio: encontrar alguma publicação da grande imprensa que não coloque "Opus Dei" e "ultraconservador" (ou variantes) na mesma frase. Será que é possível?

    terça-feira, 25 de março de 2008

    Os freis cappuccinos ganharam companhia

    Desculpem o sumiço - muito, mas muito trabalho no jornal. Várias novidades, a Gazeta do Povo de domingo vai bombar. Espero que todos tenham tido uma santa Páscoa.



    Já faz um tempo (coisa de alguns anos), li numa matéria da Folha de S.Paulo alguma coisa sobre religião, e uma hora o texto falava de "freis cappuccinos". Como já naquela época eu era um jornalista muito implicante, escrevi ao ombudsman, que não lembro quem era, acho que o Mário Magalhães, e questionei essa nomenclatura. A não ser que se tratasse de alguma nova congregação dedicada a fazer café (o que não é inverossímil - sabiam que muita bebida boa saiu de mosteiros?), o certo devia ser "capuchinhos".

    Alguns dias depois, o ombudsman me respondeu dizendo que havia consultado o editor de Cotidiano da Folha. O tal editor, bem monossilábico, se limitou a copiar um verbete "do dicionário Michaelis". O verbete era "cappuccino". A definição 1 descrevia o café. A definição 2 dizia "frei capuchinho". Pois bem, o editor teria me convencido... se esse verbete não tivesse sido retirado do dicionário italiano-português Michaelis - que, para azar do jornalista, eu também tinha. Apontei ao ombudsman a picaretagem do seu colega de Folha. Depois disso não recebi mais resposta.

    Lembrei-me dessa pequena anedota a propósito disso aqui:

    Gravadora contrata monges depois de vê-los na web

    O texto não tem nada de mais. Só chama a atenção isso aqui:
    Os monges são da ordem dos cistercianos.
    Obrigado ao Davi Redemerski por chamar a atenção na lista Tradição Católica a respeito disso. Bom, não existe nenhuma ordem dos "cistercianos", assim como não existem "freis cappuccinos". Existe, sim, a ordem dos cistercienses. Mas, como em inglês é "cistercians", o esperto redator do Terra resolveu que nem precisava consultar um dicionário (o Aurélio tem um verbete chamado "cisterciense") e traduziu do jeito que ele achou que era. E, como sabemos, nem tudo que o Terra acha realmente é.

    sábado, 15 de março de 2008

    Mas ainda estão caindo nessa?

    Estou passando o fim de semana com a Cristina em Blumenau, e eis que vejo uma chamada do Estúdio SC, o programinha que a RBS daqui exibe depois do Fantástico. Eles vão falar, adivinhem?, dos "novos pecados capitais". Mostram carros de luxo enquanto falam que agora ser muito rico também é pecado, e vão ver o que os catarinenses acham da "lista que o Vaticano publicou".

    Tudo bem que esse blog não é assim um campeão de leitura, mas será possível que ainda estejam tratando o assunto desse jeito? O próprio Vaticano já tratou de anunciar que não havia lista, muito menos de "novos pecados capitais".

    A página para a qual dei link acima tem, lá embaixo, uma caixa de "fale conosco". Que tal explicarmos a verdade para esse pessoal? Uma sugestão é dar o link da Canção Nova a tradução da entrevista que saiu no L'Osservatore Romano.

    quarta-feira, 12 de março de 2008

    Dois mais ou menos absolvidos e um que precisará de muita penitência

    Obrigado ao THT pela lista.

    O Correio da Bahia não apenas não entrou na onda dos "novos pecados capitais", como fez a diferenciação. Também deixou de lado aquela babaquice da BBC Brasil sobre "riqueza extrema" ser pecado. Só escorregou na história de os pecados serem "novos".

    Já o O Povo, de Fortaleza, embora não tenha comprado o discurso de "novos pecados capitais", resolveu entrevistar justo o Beozzo? Com tanto teólogo decente por aí... quer dizer, vá lá, podem não ser tantos assim, mas melhores que um TL garanto que existem. E olha que fiquei com dúvidas em relação à posição do Beozzo sobre células-tronco embrionárias, por exemplo.

    E, pelo contrário, a Época tenta cavar seu lugarzinho no círculo do inferno reservado aos jornalistas que distorcem o que a Igreja diz. Como se a BBC Brasil não tivesse feito bobagem suficiente, a Época tenta piorar a situação.
    a Igreja Católica pretende editar uma nova relação que pode deixar ainda mais fiéis do lado de fora do paraíso.
    Não, caro Thiago Cid, a Igreja não pretende fazer absolutamente nada.
    As mudanças foram anunciadas pelo monsenhor Gianfranco Girotti – considerado o número do 2 do Vaticano
    Não houve nenhum "anúncio de mudança". Houve uma simples entrevista sobre as funções da Penitenciaria (sem acento) Apostólica. E o "número 2 do Vaticano" é o cardeal Bertone, secretário de Estado. Girotti pode ser o "número 2" da Penitenciaria.
    A lista de novos pecados, porém, ainda não foi oficializada pelo Vaticano.
    Provavelmente a lista não vai ser oficializada pelo Vaticano porque não existe lista nenhuma para ser oficializada...

    terça-feira, 11 de março de 2008

    O que mais me surpreende...

    ... nessa história dos "novos" pecados é que a matéria original, do L'Osservatore Romano, não passava de uma inocente entrevista sobre a Penitenciária Apostólica, um órgão do Vaticano (leiam a íntegra no link da Canção Nova que eu passei no post abaixo). Aí pegam uma pergunta e em cima dela montam todo um estardalhaço que corre o mundo, inventando listas de "novos pecados" (e olha que tem coisas na lista que nem Deus sabe de onde saíram)... será que anda faltando notícia no planeta?

    Com vocês, os "novos" pecados

    Um texto da BBC Brasil datado de ontem causou polvorosa no mundo católico, e fez a alegria de jornais que adoram essas coisas pitorescas sobre a Igreja.

    Vaticano divulga lista de novos pecados capitais

    Foi uma pena que eu não tenha conseguido o texto em italiano do L'Osservatore Romano de domingo, que é a fonte original do rebuliço. Assim eu teria comparado exatamente o que saiu com o que a BBC Brasil disse que saiu (afinal, todos sabemos que a regra é haver diferenças gritantes entre uma e outra coisa). Mas o site da Canção Nova publicou o que parece ser a tradução do texto.

    Lendo a notícia na Canção Nova, logo de cara se descarta que os "novos pecados" sejam "pecados capitais". Afinal, pecado capital é um vício do qual derivam vários outros. Em outras palavras: no fim das contas, praticamente todos os pecados são expressões (ou "aplicações práticas") desses sete. E a nova lista traz coisas muito específicas. A Gazeta do Povo, por exemplo, adotou a nomenclatura "pecados sociais". Eu fico com o pé atrás em relação a isso: "pecado social" é um conceito que a TL adora, porque o "pecado de todo mundo" acaba virando o pecado de ninguém, e a responsabilidade individual vai pro espaço - podemos ver isso em alguns folhetinhos de missa, quando no ato penitencial as pessoas são levadas a pedir perdão pelo pecado dos outros, pelo pecado da comunidade, mas nunca pelo próprio pecado. Na verdade, o Vaticano fala de pecados individuais com conseqüências sociais.

    Bosch, que vocês já conhecem desse blog, pintou os sete pecados capitais. Abrimos, claro, com o "pai de todos", a soberba.

    E também descarto a interpretação de que esses pecados sejam "novos", no sentido de que antes não eram pecado, e agora passam a ser. Qualquer cristão consciente sabia, muito antes dessa lista, que "causar injustiça social" e "poluir o meio ambiente" eram pecados (Deus não colocou o homem no jardim para que cuidasse dele? Então, usar mal os recursos naturais pode ser considerado um dos primeiros pecados, em ordem cronológica...). "Usar drogas", inclusive, já constava até no Catecismo publicado em 1992:
    2291 O uso da droga causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. Salvo indicações estritamente terapêuticas, constitui falta grave.
    Qualquer pecado sempre foi pecado e sempre continuará sendo. Lembro da época do lançamento do Catecismo de 1992, em que diziam "soltar cheque sem fundo agora é pecado". Bobagem: mesmo antes de 1992, cheque sem fundo já era pecado, pois constitui fraude. Por outro lado, diziam que os duelos tinham saído do catecismo. Óbvio: ninguém mais fica trocando golpes de espada na rua. Mas, caso ainda haja quem prefira resolver suas diferenças assim, um aviso: duelar continua sendo pecado. Da mesma forma, no Catecismo não diz que hackear computadores alheios para pegar senhas é pecado - mas quem duvida de que é uma atitude moralmente errada?

    Gula - só porque está quase na hora do almoço.

    E ainda nem falamos das interpretações individuais de cada pecado!

    Não sei como, porque não solicitei nada disso, estou no mailing de um site humorístico chamado Central de Notícias Populares, com o subtítulo "Jornalismo com responsabilidade social". Pois bem, ontem mesmo recebi um aviso:
    Transgênico agora é "pecado" – O pessoal da “Opus Dei” que se relaciona aí com parte da imprensa brasileira, está em apuros. É que o Vaticano incluiu os organismos geneticamente modificados na lista de “pecados modernos”. E pela “cobertura” que os grandes medias dão aos opositores dos transgênicos, uma boa parte já está com seu cantinho reservado no inferno. Claro que lá, estarão em boa companhia, com a Monsanto, a Bunge , a Cargill, a Syngenta e outras empresas que querem patentear a vida e empestiar toda a superfície da terra com os seus royalties.
    (OK, pausa para as gargalhadas. É ou não é verdade que socialismo em excesso faz mal ao cérebro?)

    Bom, se a infiltração da Obra na imprensa fosse do jeito que esse povo imagina, garanto que o jornalismo brasileiro seria muito melhor - e não sairia tanta bobagem sobre a Igreja na imprensa, concordam?

    Agora, vamos ao que o Vaticano entende por "modificação genética". Com a palavra, monsenhor Gianfranco Girotti:
    na área da bioética, aonde não podemos deixar de denunciar algumas violações nos direitos fundamentais da natureza humana através de experimentos, manipulações genéticas
    Ficou claro ou preciso desenhar? A manipulação genética condenada é aquela feita com seres humanos. O Vaticano não tem nada contra os transgênicos.

    A BBC Brasil fez (e outros copiaram) uma listinha de pecados. Curiosamente, no site da Canção Nova não tem listinha nenhuma. Pior ainda - na relação da BBC Brasil tem coisa que simplesmente nem foi mencionada na entrevista com o monsenhor Girotti, como
    5. Tornar-se extremamente rico
    Na Canção Nova não tem, mas eu queria muito ver se no L'Osservatore Romano saiu algo parecido. Porque ser rico, ou "extremamente rico", não é pecado. O pecado é ter acumulado riqueza explorando outros, recorrendo à fraude, e ser apegado às riquezas. Quem se tornou "extremamente rico" trabalhando duro, remunerando seus empregados de forma justa e não se apegando à riqueza conquistada não faz nada de errado.

    A BBC Brasil ainda cometeu uma gafe monstruosa:
    Na entrevista ao Osservatore Romano, Girotti recordou as recomendações para se receber o perdão.

    "Confissão em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado, comunhão, oração segundo as intenções do papa, pureza e caridade", disse o clérigo.
    Confissão antes de cometer o pecado? Isso simplesmente não existe! Vejamos agora o que saiu na Canção Nova:
    Nicola Gori - Não parece que as condições para ter indulgências sejam leves?
    Gianfranco Girotti - Se juntamente às condições impostas - confissão sacramental, não mais do que há 15 dias antes ou depois da indulgência, comunhão eucarística e oração segundo as orações do pontífice – pensemos que para adquirir a indulgência também é pedido um grau de pureza e sinais de ardente caridade, coisas difíceis à nossa fragilidade, então diria que aquilo que está estabelecido não é de se minimizar.
    O erro é grotesco. A confissão é dias antes ou depois da indulgência, não do pecado! Antes mesmo de eu ler o texto na Canção Nova, o Jorge Ferraz já tinha cantado essa bola: a de que o padre estivesse se referindo a indulgências, que de algum modo a imprensa entendeu como "perdão dos pecados". O que não é surpreendente, já que muitíssimas vezes vi essa confusão nos jornais.

    (Desculpem, não achei as reproduções detalhadas dos outros pecados segundo Bosch)


    Mas bem que podiam incluir na listinha "distorcer informações sobre a Igreja"...

    Mistério resolvido

    Faz alguns dias perguntei, nesse blog, por que quase ninguém noticiou a nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir.

    Ontem, depois que eu li a abjeta Mensagem às Mulheres do Brasil, em que os bispos defendem as invasoras da Via Campesina (dane-se o que João Paulo II disse a respeito, não é mesmo?) e denunciam que o verdadeiro invasor é o "capital internacional", cheguei à seguinte (triste) conclusão:

    Nenhum jornal divulgou a nota sobre as CDD porque todos acharam que era trote.

    segunda-feira, 10 de março de 2008

    Aguardem e confiem

    Não sei se vai dar pra hoje, mas certamente comentarei a estátua de Galileu e os novos "pecados capitais".

    sexta-feira, 7 de março de 2008

    O que a decadência faz...

    Vocês devem se lembrar de Paulo Henrique Amorim. Um dia ele foi da Globo. Hoje nem sei por onde anda, exceto pelo fato de ele ter um blog no iG. Numa coluna, Diogo Mainardi escreveu que a carreira de Paulo Henrique Amorim estava na descendente, o jornalista não gostou e entrou com processo, e perdeu. O juiz, para completar a humilhação, ainda justificou na decisão que, para quem já havia ocupado horário nobre na Globo, ter a posição que tem agora realmente representa estar com a carreira em declínio.

    Pois bem, agora Paulo Henrique Amorim resolveu bater forte no ministro Carlos Alberto Direito por sua decisão de pedir vistas no julgamento da pesquisa com células-tronco. O jeito de escrever de PHA é curioso: ele gosta de seqüências de várias frases curtas. Não sei se isso é questão de estilo (bem ruinzinho, diga-se de passagem) ou é causado também pelo declínio na carreira jornalística - Deus queira que nunca aconteça comigo, e que eu envelheça sabendo escrever parágrafos inteiros de tamanho respeitável para expressar minhas idéias.

    Anyway: uma das brincadeiras prediletas de PHA é chamar o ministro Direito de "fundamentalista". Aliás, ele também chama a causa contra a pesquisa com embriões de "fundamentalista". Convenhamos - o adjetivo tem carga pejorativa, mas, como diz o ditado, há malas que vão pra Belém. Uma coisa que não se pode negar é que no nosso lado (o lado contra a destruição de embriões) o que não falta é fundamento: fundamento científico, fundamento legal, fundamento ético. Então acho até que dá pra dizer mesmo que somos fundamentalistas, e dos bons, já que estamos cheios de fundamento.

    Especialmente divertido foi ler o seguinte:
    O Ministro Direito é católico militante e está à direita da Opus Dei e do Papa Bento XVI.
    Não sei o que significa estar "à direita" do (é masculino) Opus Dei e do Papa. Aliás, falando em Bento XVI, vamos recordar o que ele disse, quando ainda era cardeal Ratzinger, na homilia da missa Pro Eligendo Pontifice, em abril de 2005:
    Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decénios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao colectivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.
    Agradeçamos a Deus por Bento XVI!