quinta-feira, 29 de maio de 2008
Quando crescer quero ser como ele
Na manhã de hoje, Reinaldo Azevedo também escreve em seu blog sobre a demonização da Igreja Católica feita pela imprensa quando insiste em lembrar que Carlos Alberto Direito é "católico fervoroso". O texto vale muito a pena - já a maioria dos comentários parece ser feita por gente que simplesmente não leu o que o Reinaldo escreveu (ou, se leu, não entendeu).
quarta-feira, 28 de maio de 2008
E não é que ele existe mesmo?
Os cassetas sempre fazem algum trocadilho com os nomes dos jornalistas da Globo, e é assim que Alexandre Garcia virou Alexandre Gracinha, interpretado pelo Beto Silva (infelizmente não achei fotos). Antes fosse só piada: Alexandre Gracinha existe de verdade e apareceu hoje cedo, no Bom Dia Brasil, falando ao vivo de Brasília sobre o julgamento das células-tronco embrionárias no STF (que ainda está rolando, até onde eu sei).
Primeiro ele começou lembrando que tanto o ministro Carlos Direito quanto o ex-procurador-geral Cláudio Fonteles são "católicos fervorosos". Raios, o que isso tem a ver com a história? Por que só eles aparecem na imprensa com esse aposto? Por que não procuram saber a religião dos outros ministros, ou da Mayana Zatz? Por exemplo, o ministro Ayres Britto, aquele que redigiu um voto antalógico, é seguidor de um tal Osho, mas se depender do Alexandre Gracinha, e de todo o resto da imprensa, ninguém ficaria sabendo. "Ah, mas no voto dele não tem citações do Osho, então a religião do Ayres é irrelevante", alguém pode dizer. Então tá: na Adin do Fonteles e na argumentação do Carlos Direito também não há citações de encíclicas papais - é só fundamento jurídico e científico. São textos que poderiam ter sido escritos por um protestante, um judeu, um budista, um ateu... mesmo assim, 110% das menções ao ministro e ao ex-procurador-geral vêm com o "católico fervoroso" quase como se fosse um sobrenome.
Aí a apresentadora pergunta o que acontece com os embriões se o Supremo der razão ao Fonteles. Então o Gracinha responde que vão pro lixo, ponto. Não que "poderiam" ir pro lixo: eles vão. E, indo pro lixo, acabariam com a esperança de tantas pessoas que esperam a cura para seus problemas (isso apesar de as células embrionárias até hoje não terem mostrado resultado nenhum) - e o Gracinha arremata com sua tentativa de teologia, lembrando que a esperança é uma das virtudes teologais, ao lado da fé e da caridade, caridade que precisaria ser exercida para com os portadores de doenças "curáveis" com o uso de embriões.
Decerto o Gracinha deve ter terminado a entrada ao vivo pensando "nossa, arrasei com esse negócio das virtudes". É, arrasou com o bom senso. Vamos rapidinho ao Compêndio do Catecismo da Igreja Católica para comprovar que a virtude teologal da esperança é algo muito diferente de esperar que, matando embriões, se consiga a cura para Parkinson, Alzheimer ou que se faça um paraplégico voltar a andar.
Conclusão: na época em que os repórteres apenas não sabiam o que era um cardeal, mas ainda não se metiam a dar uma de teólogos, eu era feliz e não sabia.
Primeiro ele começou lembrando que tanto o ministro Carlos Direito quanto o ex-procurador-geral Cláudio Fonteles são "católicos fervorosos". Raios, o que isso tem a ver com a história? Por que só eles aparecem na imprensa com esse aposto? Por que não procuram saber a religião dos outros ministros, ou da Mayana Zatz? Por exemplo, o ministro Ayres Britto, aquele que redigiu um voto antalógico, é seguidor de um tal Osho, mas se depender do Alexandre Gracinha, e de todo o resto da imprensa, ninguém ficaria sabendo. "Ah, mas no voto dele não tem citações do Osho, então a religião do Ayres é irrelevante", alguém pode dizer. Então tá: na Adin do Fonteles e na argumentação do Carlos Direito também não há citações de encíclicas papais - é só fundamento jurídico e científico. São textos que poderiam ter sido escritos por um protestante, um judeu, um budista, um ateu... mesmo assim, 110% das menções ao ministro e ao ex-procurador-geral vêm com o "católico fervoroso" quase como se fosse um sobrenome.
Aí a apresentadora pergunta o que acontece com os embriões se o Supremo der razão ao Fonteles. Então o Gracinha responde que vão pro lixo, ponto. Não que "poderiam" ir pro lixo: eles vão. E, indo pro lixo, acabariam com a esperança de tantas pessoas que esperam a cura para seus problemas (isso apesar de as células embrionárias até hoje não terem mostrado resultado nenhum) - e o Gracinha arremata com sua tentativa de teologia, lembrando que a esperança é uma das virtudes teologais, ao lado da fé e da caridade, caridade que precisaria ser exercida para com os portadores de doenças "curáveis" com o uso de embriões.
Decerto o Gracinha deve ter terminado a entrada ao vivo pensando "nossa, arrasei com esse negócio das virtudes". É, arrasou com o bom senso. Vamos rapidinho ao Compêndio do Catecismo da Igreja Católica para comprovar que a virtude teologal da esperança é algo muito diferente de esperar que, matando embriões, se consiga a cura para Parkinson, Alzheimer ou que se faça um paraplégico voltar a andar.
387. O que é a esperança?(ah, sim, aproveite para verificar que "caridade" também não tem nada a ver com destroçar seres humanos para pesquisas que até agora não deram em nada)
1817-1821;
1843
A esperança é a virtude teologal por meio da qual desejamos e esperamos de Deus a vida eterna como nossa felicidade, colocando a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos na ajuda da graça do Espírito Santo para merecê-la e perseverar até ao fim da vida terrena.
Conclusão: na época em que os repórteres apenas não sabiam o que era um cardeal, mas ainda não se metiam a dar uma de teólogos, eu era feliz e não sabia.
domingo, 18 de maio de 2008
Meus colegas andam muito preguiçosos
Está rodando por aí a notícia de que a Justiça baiana mandou recolher livros do monsenhor Jonas Abib. Quem me conhece sabe que não morro de amores pela RCC, especialmente pelos abusos litúrgicos e pela "ordinarização do extraordinário", mas o assunto não é esse. Essa matéria do Terra segue a mesma linha de tudo o mais que eu já li sobre o assunto:
Justiça da Bahia manda recolher livro de padre
A acusação:
Justiça da Bahia manda recolher livro de padre
A acusação:
O promotor Almiro Sena alegou que Abib faz "afirmações inverídicas e preconceituosas à religião espírita e às religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, além de flagrante incitação à destruição e ao desrespeito aos seus objetos de culto".E a matéria fica por aí. Será que nenhum repórter teve a capacidade de conseguir um exemplar do livro para verificar se as afirmações do promotor têm procedência? Só porque o promotor falou, é isso mesmo? Como é que temos na imprensa trechos completos da tal carta do Einstein leiloada recentemente, mas não temos uma linha sequer do livro censurado? Com a resposta, os repórteres.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
O povo do El País precisa se decidir
No domingo o El País resolveu publicar um perfil de um padre exorcista espanhol. A matéria está muito bem escrita, inclusive.
Mas, como era de se esperar do El País, os jornalistas de lá continuam sem fazer a menor idéia das coisas que o Papa diz ou deixa de dizer:
Pese a sus relaciones con los demonios, Fortea coincide con el Papa en que el infierno, como lugar concreto, no existe.Vamos ver com cuidado. Então, diz o El País que, segundo Bento XVI, o inferno, como lugar concreto, não existe. Mas em fevereiro desse ano o mesmíssmo El País publicou o seguinte:
El papa Benedicto XVI ha asegurado que el infierno existe y no está vacío. No es anuncio nuevo, en 2007 ya mencionó la existencia del infierno como lugar, algo que su antedecesor, Juan Pablo II, había rechazado.Lembram disso? Eu comentei essas matérias à exaustão em fevereiro, consultem o arquivo do blog. Inclusive demonstrei que não existe contradição nenhuma entre as palavras de Bento XVI e de João Paulo II.
Mas, para o El País, em fevereiro Bento XVI diz que o inferno é um lugar; em maio, Bento XVI não acredita no inferno como um lugar. O que eu acho é que são os jornalistas espanhóis que não sabem do que estão falando. Vai ver estão com o diabo no corpo.
O L'Osservatore precisa parar de publicar entrevistas
Lembram do monsenhor Girotti, "vice" da Penitenciaria Apostólica? Ele deu uma entrevista despretensiosa para o L'Osservatore Romano e logo depois o mundo estava perplexo com a "lista dos novos pecados capitais" - cortesia da BBC.
Pois é. Agora quem deu entrevista ao jornal vaticano foi o padre José Gabriel Funes, diretor do observatório astronômico do Vaticano. E aí a BBC Brasil, sempre ela, me lasca o seguinte título em sua matéria:
Vaticano admite que pode haver vida fora da TerraComo se percebe, a BBC tem o vício de atribuir à Igreja Católica qualquer declaração de alguém que esteja dentro dos muros (ou em Castelgandolfo, onde fica o observatório). Sejamos honestos: o Vaticano não admitiu nada. O padre Funes não fala em nome da Santa Sé, e sim como astrônomo e estudioso. Só isso.
O Terra não quis ficar atrás:
É possível crer em Deus e extraterrestres, diz padreO problema desse título é que não se "crê" em Deus da mesma forma como se "crê" em ETs. A existência de ETs é um dado cientificamente comprovável, ao contrário da existência de Deus, que, embora possa ser captada pela razão, não pode ser provada em laboratório.
Além disso, o Terra lasca um
Jesus reencarnou uma vez para todos. A reencarnação é um evento único e não pode ser repetidoque só pode ser erro de tradução, pois é uma frase incoerente em si mesma. Se é um evento único que não se repete, é a encarnação, e não a reencarnação. Além disso, católicos não acreditam em reencarnação.
O Terra diz ter pego as informações da Ansa, então lá fui eu atrás da agência italiana, e descubro que eles conseguiram fazer pior que os brasileiros!
Vatican: 'God made aliens too'
Quer dizer, deixou de ser possibilidade para ser certeza!
(ANSA) - Vatican City, May 13 - God made not only Man but also any other intelligent life in the Universe, the Vatican's top astronomer said Tuesday.Vejam que, na hora das aspas do padre, fala-se de possibilidade. Mas no primeiro parágrafo o tempo verbal empregado já dá a idéia de certeza... então rezemos pela alma dos ETs, sejam os de filme, o de Varginha, o chupa-cabra e todos os outros!
"Just as there is a multiplicity of creatures on Earth there could be other beings, intelligent ones, created by God," Father José Gabriel Funes told Vatican daily L'Osservatore Romano.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Tem horas em que é bom não ter televisão por assinatura
Domingo que vem o Discovery Channel vai apresentar um programa chamado Continente da Esperança. Não entendi direito se é uma série, ou se é apenas um único programa.
Mas só de ler a sinopse eu acho que vou ganhar mais vendo Fantástico, ou qualquer mesa redonda analisando a primeira rodada do Brasileirão da Série B (que é o que interessa). O Discovery quer descobrir por que o número de católicos diminui e por que faltam padres. Garanto que sobre isso eles terão entrevistado o Fernando Altemeyer, a Ivone Gebara, o Leonardo Boff, o frei Betto, o Marcelo Barros, um monte de CEBeiros... não conto muito com a hipótese de ver no programa gente do porte de dom Eugênio Sales, dom José Cardoso Sobrinho...
E provavelmente vão apontar como causas do declínio de católicos a rigidez moral da Igreja, o centralismo de Roma, a liturgia engessada no modelo europeu (que não permite a tal "inculturação"), essas coisas. Quando as verdadeiras causas (a Teologia da Libertação, a perda de significado do sacerdócio, o relativismo moral), essas vão passar batidas pelos repórteres do Discovery.
O fim do texto que apresenta o programa no site é de matar:
Mas só de ler a sinopse eu acho que vou ganhar mais vendo Fantástico, ou qualquer mesa redonda analisando a primeira rodada do Brasileirão da Série B (que é o que interessa). O Discovery quer descobrir por que o número de católicos diminui e por que faltam padres. Garanto que sobre isso eles terão entrevistado o Fernando Altemeyer, a Ivone Gebara, o Leonardo Boff, o frei Betto, o Marcelo Barros, um monte de CEBeiros... não conto muito com a hipótese de ver no programa gente do porte de dom Eugênio Sales, dom José Cardoso Sobrinho...
E provavelmente vão apontar como causas do declínio de católicos a rigidez moral da Igreja, o centralismo de Roma, a liturgia engessada no modelo europeu (que não permite a tal "inculturação"), essas coisas. Quando as verdadeiras causas (a Teologia da Libertação, a perda de significado do sacerdócio, o relativismo moral), essas vão passar batidas pelos repórteres do Discovery.
O fim do texto que apresenta o programa no site é de matar:
A situação é tão preocupante que cerca de 70% das missas dominicais no País são celebradas sem padres.Só para deixar bem claro: a estatística está completamente errada porque sem padre, não existe missa! Lembram daquela matéria da Globo sobre a assembléia da CNBB, que começava com um leigo de jaleco fazendo celebração da palavra e depois um fiel dizendo que "é a mesma coisa, o que importa é o coração"? Pois bem, que um fiel com formação deficiente diga isso é uma coisa; que um repórter que deveria entender do assunto que cobre diga isso é outra coisa, bem pior.
terça-feira, 6 de maio de 2008
O que deu na Ilze Scamparini?
Domingo, no Fantástico, lá foi ela à Áustria visitar a cidade onde o Josef Fritzl trancava a filha (para ficar na parte light da coisa). Em um dado momento, ela se refere à Áustria como "país católico". De fato, parece que realmente a maioria da população austríaca é católica. Mas a referência, naquele contexto, ficou esquisita. Como se atrocidades como aquelas não ocorressem em países não católicos.
Só faltava ela dizer que o sujeito tinha o mesmo primeiro nome do Papa...
Só faltava ela dizer que o sujeito tinha o mesmo primeiro nome do Papa...
domingo, 4 de maio de 2008
O santo guerreiro
Saiu hoje no G1:
Santo padroeiro do Corinthians também foi "rebaixado", mas não perdeu santidade

São Jorge segundo Rafael Sanzio
Brincadeiras à parte com meu time, vamos ver o texto com atenção. Uma das primeiras coisas que o repórter esclarece é que não existe "dessantificação".
Mas depois, como é de costume, colocam nas costas do Vaticano II todo tipo de coisa:
E o padre Oscar Beozzo também comete seu escorregão:
Convenhamos, podia ter sido muito pior. Podiam dizer, como já vi por aí, que a Igreja teria deixado de reconhecer São Jorge como santo. O resultado final até que é bom. Agora, descobri que o G1 tem uma série de reportagens chamadas "Ciência da Fé". Vou ler mais e depois conto aqui o que descobri.
Santo padroeiro do Corinthians também foi "rebaixado", mas não perdeu santidade
São Jorge segundo Rafael Sanzio
Brincadeiras à parte com meu time, vamos ver o texto com atenção. Uma das primeiras coisas que o repórter esclarece é que não existe "dessantificação".
Mas depois, como é de costume, colocam nas costas do Vaticano II todo tipo de coisa:
A situação mudou consideravelmente após o Concílio Vaticano Segundo (1962-1965), reunião que deu novos rumos à Igreja no século 20. Os líderes católicos decidiram dar mais peso à Bíblia e à figura de Cristo nas missas e demais celebrações religiosas, diminuindo a ênfase nas festas relacionadas a santos. Apenas as mais importantes, como as que envolvem São Pedro e São Paulo, considerados os principais líderes do cristianismo primitivo, continuaram a ser celebradas pela Igreja no mundo inteiro.Primeiro, que na Missa a ênfase sempre esteve na Bíblia e em Cristo. Segundo que ainda existe um grande bocado de festas consideradas obrigatórias pela Igreja em todo o mundo. Se fossem só as dos Apóstolos e de mais um ou outro santo, sobraria muito pouco. Mas basta pegar o Diretório Litúrgico da CNBB para ver o bocado de memórias obrigatórias que ainda estão lá.
E o padre Oscar Beozzo também comete seu escorregão:
Outros santos tiveram o mesmo destino, como Santa Filomena, que começou a ser venerada a partir de 1808 com a descoberta de seu nome numa das catacumbas. "Mas, nesse caso, ela nem tinha chegado a ter um dia oficial de festas", diz o historiador da Unicap. "Quem era devoto de Santa Filomena realmente ficou meio perdido", diz o padre Beozzo.Segundo a Enciclopédia Católica, Gregório XVI (Papa de 1830 a 1846) instituiu sim a festa de Santa Filomena, em 9 de setembro. E seu túmulo foi descoberto em 1802, não em 1808.
Convenhamos, podia ter sido muito pior. Podiam dizer, como já vi por aí, que a Igreja teria deixado de reconhecer São Jorge como santo. O resultado final até que é bom. Agora, descobri que o G1 tem uma série de reportagens chamadas "Ciência da Fé". Vou ler mais e depois conto aqui o que descobri.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Milagre!
Vi ontem as reportagens do Jornal da Band e do Jornal Nacional sobre a tal pesquisa da UnB e Uerj sobre o perfil das mulheres que abortam. Achei estranho isso ter aparecido na televisão só ontem, pois no jornal eu me lembro de ter visto algo sobre o assunto na semana retrasada.
De qualquer maneira, achei incrível o fato de nenhuma das duas matérias ter entrevistado alguém das Diabas pelo Direito de Matar para dar o seu pitaco. O mundo ainda tem salvação!
E vá lá, as reportagens deixaram de fazer uma distinção importante entre ser católico e se dizer católico - sabemos que, ultimamente, existe um abismo enorme entre essas duas coisas.
Por fim, vejam vocês, não é que as adolescentes são mais responsáveis que mulheres de 20 a 29 anos mães de família?
De qualquer maneira, achei incrível o fato de nenhuma das duas matérias ter entrevistado alguém das Diabas pelo Direito de Matar para dar o seu pitaco. O mundo ainda tem salvação!
E vá lá, as reportagens deixaram de fazer uma distinção importante entre ser católico e se dizer católico - sabemos que, ultimamente, existe um abismo enorme entre essas duas coisas.
Por fim, vejam vocês, não é que as adolescentes são mais responsáveis que mulheres de 20 a 29 anos mães de família?
domingo, 27 de abril de 2008
Freeedom, como diria William Wallace
Passei as duas últimas semanas dando jornada dupla no jornal: como editor de Vestibular e editor-assistente de Vida e Cidadania (o popular "primeiro caderno"). Chegava em casa sem vontade de abrir o micro. Mas isso acabou.
E volto à ativa com um artigo do André Petry (de novo). Dica da Cristina. Na verdade nem tentei procurar na Veja, achei no Google mesmo. É sobre a visita do Papa aos Estados Unidos. Petry diz que nada do que o Papa tem feito até agora é suficiente para reparar o escândalo de pedofilia (e olha que muitos dos casos nem eram pedofilia, e sim homossexualismo mesmo, já que a "vítima" era maiorzinha e sabia muito bem o que fazia).
Pois bem, a certa altura o Petry diz:
Se bem que, dos inimigos da Igreja, o que eu menos espero é compromisso com a verdade...
E volto à ativa com um artigo do André Petry (de novo). Dica da Cristina. Na verdade nem tentei procurar na Veja, achei no Google mesmo. É sobre a visita do Papa aos Estados Unidos. Petry diz que nada do que o Papa tem feito até agora é suficiente para reparar o escândalo de pedofilia (e olha que muitos dos casos nem eram pedofilia, e sim homossexualismo mesmo, já que a "vítima" era maiorzinha e sabia muito bem o que fazia).
Pois bem, a certa altura o Petry diz:
até hoje o Vaticano não mudou o código canônico, no qual consta tudo o que impede um padre de manter-se padre ou virar padre. A saber: homicídio, automutilação, tentativa de homicídio ou auxílio a aborto. Abuso sexual pode? Pode. Pedofilia pode? Pode.Dizer uma coisa dessas é canalhice pura. Petry está falando do cânon 1041, o que enumera impedimentos para alguém receber o sacramento da Ordem. Agora, concluir que só porque pedofilia não está na lista a Igreja faça vista grossa para o fato é manipular o texto canônico de maneira torpe. Se bem que, se considerarmos a pedofilia como uma desordem psíquica, os pedófilos estariam, sim, impedidos de receber o sacramento porque cairiam no item 1 do cânon 1041 - item, aliás, que o Petry esqueceu, ou quis esquecer, de mencionar.
Se bem que, dos inimigos da Igreja, o que eu menos espero é compromisso com a verdade...
terça-feira, 15 de abril de 2008
O Papa nos Estados Unidos...
... e o Luís Fernando Silva Pinto, no Jornal Nacional, acaba de dizer que o Papa, como George W. Bush, "é contra o aborto, o casamento entre homossexuais e a pesquisa com células-tronco." Sim, ponto final depois de "tronco", sem a necessária adição do "embrionárias". Deus do céu, será possível?
segunda-feira, 14 de abril de 2008
E agora, em defesa da CNBB
Só esclarecendo uma coisa no caso da carta do ENP, já que tem gente nos comentários malhando a CNBB. No caso em questão, os bispos do Brasil agiram corretamente. Foram eles que determinaram que o documento do Conselho Nacional de Presbíteros (o que será levado a Roma) não traga pedidos de flexibilização do celibato. De quebra, a CNBB também vetou a referência à canonização de dom Helder Câmara e outras personalidades do clero brasileiro.
O que aconteceu foi que dom Geraldo Lyrio comprou a lenga-lenga do presidente do CNP de que o Estadão teria "distorcido" o pedido dos padres no documento. Mas que o saldo final do episódio é amplamente positivo para a CNBB não se pode negar.
O que aconteceu foi que dom Geraldo Lyrio comprou a lenga-lenga do presidente do CNP de que o Estadão teria "distorcido" o pedido dos padres no documento. Mas que o saldo final do episódio é amplamente positivo para a CNBB não se pode negar.
domingo, 13 de abril de 2008
Agora, em defesa dos jornalistas
Os padres fazem besteira (e das grandes), e agora que a CNBB resolveu dar um pau neles, vêm chorando e dizendo "fomos distorcidos". Façam-me o favor.
Vocês devem se lembrar daquele Encontro Nacional de Presbíteros, em que o documento final, que seria enviado a Roma, pedia o fim da obrigatoriedade do celibato. Bom, aí o Estadão lascou um título que dizia Padres sugerem o fim do celibato.
Pois bem, agora que a CNBB analisou o documento e decidiu cortar as referências ao assunto na versão que será enviada a Roma, o presidente do Conselho Nacional de Presbíteros, padre Francisco dos Santos, em vez de assumir e dizer "é, fizemos bobagem", resolve atacar a imprensa. Afinal, como vocês sabem, um bom socialista, ainda que travestido de católico, nunca faz nada de errado. Tudo sempre é culpa dos outros: da imprensa canalha (como diz o Requião), da herança maldita, essas coisas. Padre Chico diz que o Estadão divulgou as coisas de maneira distorcida, pois afinal os padres não estavam pedindo que não houvesse mais celibatários. O pior foi ver o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio, embarcando na mesma lenga-lenga.
Eu não vi o jornal em papel no dia em questão, mas tenho certeza de que o editor não devia ter muito mais espaço do que os 32 toques, incluindo espaços, da frase escolhida para ser título da matéria. A crítica do padre Chico é coisa de quem não tem a menor idéia de como funciona um jornal. O padre deve achar que havia espaço para escrever um título parecido com "Padres sugerem o fim do celibato obrigatório, mas acham que não deve deixar de haver sacerdotes celibatários".
E, convenhamos, qualquer pessoa que acompanhe o assunto sabe o que a expressão "fim do celibato" quer dizer. Precisa ser muito sem noção para achar que o ENP quisesse que, daqui em diante, os padres fossem todos casados, ou obrigados a se casar na marra. Claro que a leitura correta da manchete era a de que os padres não queriam mais que o celibato fosse obrigatório. Existe aí uma elipse que, ao menos para mim, parece evidente: "fim do celibato" na verdade é "fim da obrigatoriedade do celibato". Mas "obrigatoriedade" é palavra grande demais para um título de jornal.
Esse blog só existe porque há jornalistas que cometem muita bobagem. Mas, pelo menos neste caso, a bobagem mesmo foi cometida é no Encontro Nacional de Presbíteros. Não venham tentar jogar a culpa nos jornais, agora.
Vocês devem se lembrar daquele Encontro Nacional de Presbíteros, em que o documento final, que seria enviado a Roma, pedia o fim da obrigatoriedade do celibato. Bom, aí o Estadão lascou um título que dizia Padres sugerem o fim do celibato.
Pois bem, agora que a CNBB analisou o documento e decidiu cortar as referências ao assunto na versão que será enviada a Roma, o presidente do Conselho Nacional de Presbíteros, padre Francisco dos Santos, em vez de assumir e dizer "é, fizemos bobagem", resolve atacar a imprensa. Afinal, como vocês sabem, um bom socialista, ainda que travestido de católico, nunca faz nada de errado. Tudo sempre é culpa dos outros: da imprensa canalha (como diz o Requião), da herança maldita, essas coisas. Padre Chico diz que o Estadão divulgou as coisas de maneira distorcida, pois afinal os padres não estavam pedindo que não houvesse mais celibatários. O pior foi ver o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio, embarcando na mesma lenga-lenga.
Eu não vi o jornal em papel no dia em questão, mas tenho certeza de que o editor não devia ter muito mais espaço do que os 32 toques, incluindo espaços, da frase escolhida para ser título da matéria. A crítica do padre Chico é coisa de quem não tem a menor idéia de como funciona um jornal. O padre deve achar que havia espaço para escrever um título parecido com "Padres sugerem o fim do celibato obrigatório, mas acham que não deve deixar de haver sacerdotes celibatários".
E, convenhamos, qualquer pessoa que acompanhe o assunto sabe o que a expressão "fim do celibato" quer dizer. Precisa ser muito sem noção para achar que o ENP quisesse que, daqui em diante, os padres fossem todos casados, ou obrigados a se casar na marra. Claro que a leitura correta da manchete era a de que os padres não queriam mais que o celibato fosse obrigatório. Existe aí uma elipse que, ao menos para mim, parece evidente: "fim do celibato" na verdade é "fim da obrigatoriedade do celibato". Mas "obrigatoriedade" é palavra grande demais para um título de jornal.
Esse blog só existe porque há jornalistas que cometem muita bobagem. Mas, pelo menos neste caso, a bobagem mesmo foi cometida é no Encontro Nacional de Presbíteros. Não venham tentar jogar a culpa nos jornais, agora.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Isso que dá botarem repórter LEIGO no assunto...
Acabei de ver a matéria do Jornal Nacional sobre o encerramento da Assembléia Geral da CNBB, em Itaici. Infelizmente não tem link. Ou talvez felizmente, porque a matéria é um desastre.
Começa com uma dessas "celebrações da palavra" que infestam (sim, o verbo é esse mesmo) o país, comandada por uma mulher que distribui comunhão, etc. etc. Aí me vem um sujeito que diz "é a mesma coisa [que missa celebrada por padre], o que importa é o coração". E aí vem a ministrete (copyright Carlos Ramalhete) explicando que a paróquia tem 28 comunidades e dois padres, então tem que ser daquele jeito.
Aí já cabem duas observações:
Bom, eu sei, você sabe, que celebração da palavra e Missa não são a mesma coisa nem aqui, nem em Júpiter. Mas isso pouco importa para a reportagem. Tudo bem que não chega a ser obrigação do repórter esclarecer os telespectadores sobre a forma certa de cumprir o terceiro mandamento - essa obrigação é do bispo do lugar e dos dois padres da paróquia. Também é do fiel, que deveria correr atrás de formação. Mas se os pastores não se encarregam de dizer que não, não é a mesma coisa, o fiel fica parcialmente desculpado. Parcialmente.
E, convenhamos, paróquia com dois padres já está muito acima da média nacional. Estão reclamando do quê? A não ser que a paróquia tenha o tamanho de Minas Gerais, dois padres podem muitíssimo bem dar conta de garantir que suas 28 comunidades cumpram adequadamente o preceito dominical. Têm a tarde de sábado e o domingo inteiro para isso.
Mas aí segue a reportagem, e o intrépido jornalista nos explica que "leigo" é aquela pessoa não-ordenada que desempenha serviços na Igreja. Espero que não tenhamos uma legião de telespectadores passando por crise de identidade. Eu, por exemplo, não uso jaleco para distribuir a Eucaristia na missa; não participo de nenhum "ministério" de música, sequer do coral da Madalena; não faço jornalzinho de paróquia. E também não sou ordenado. Sou o que, então? Mas felizmente o repórter se engana. Para ser leigo, basta não ser ordenado ou religioso/a. Até o repórter, se for católico, também é leigo, embora eu ache que ele não saiba disso.
Daí pra frente a coisa fica um mero relato do que houve em Itaici. Também ficamos sabendo que, para atender decentemente todas as paróquias brasileiras, precisaríamos de três vezes o número atual de padres. Olha, eu acho que a estatística é falsa. Porque, se pegarmos todos os padres que hoje gastam tempo apoiando invasão de terra, escrevendo artigos e livros pró-heresia da Libertação, "ganhando o coração" de garotões com Pajeros, dando aula de "teologia" modernista nas PUCs da vida, e colocássemos diante dos altares e dentro dos confessionários, tenho a impressão de que daria, sim, pra atender as necessidades dos fiéis. Isso, claro, porque eu acredito que os fiéis necessitam é da salvação da sua alma, e não da revolução socialista.
Começa com uma dessas "celebrações da palavra" que infestam (sim, o verbo é esse mesmo) o país, comandada por uma mulher que distribui comunhão, etc. etc. Aí me vem um sujeito que diz "é a mesma coisa [que missa celebrada por padre], o que importa é o coração". E aí vem a ministrete (copyright Carlos Ramalhete) explicando que a paróquia tem 28 comunidades e dois padres, então tem que ser daquele jeito.
Aí já cabem duas observações:
Bom, eu sei, você sabe, que celebração da palavra e Missa não são a mesma coisa nem aqui, nem em Júpiter. Mas isso pouco importa para a reportagem. Tudo bem que não chega a ser obrigação do repórter esclarecer os telespectadores sobre a forma certa de cumprir o terceiro mandamento - essa obrigação é do bispo do lugar e dos dois padres da paróquia. Também é do fiel, que deveria correr atrás de formação. Mas se os pastores não se encarregam de dizer que não, não é a mesma coisa, o fiel fica parcialmente desculpado. Parcialmente.
E, convenhamos, paróquia com dois padres já está muito acima da média nacional. Estão reclamando do quê? A não ser que a paróquia tenha o tamanho de Minas Gerais, dois padres podem muitíssimo bem dar conta de garantir que suas 28 comunidades cumpram adequadamente o preceito dominical. Têm a tarde de sábado e o domingo inteiro para isso.
Mas aí segue a reportagem, e o intrépido jornalista nos explica que "leigo" é aquela pessoa não-ordenada que desempenha serviços na Igreja. Espero que não tenhamos uma legião de telespectadores passando por crise de identidade. Eu, por exemplo, não uso jaleco para distribuir a Eucaristia na missa; não participo de nenhum "ministério" de música, sequer do coral da Madalena; não faço jornalzinho de paróquia. E também não sou ordenado. Sou o que, então? Mas felizmente o repórter se engana. Para ser leigo, basta não ser ordenado ou religioso/a. Até o repórter, se for católico, também é leigo, embora eu ache que ele não saiba disso.
Daí pra frente a coisa fica um mero relato do que houve em Itaici. Também ficamos sabendo que, para atender decentemente todas as paróquias brasileiras, precisaríamos de três vezes o número atual de padres. Olha, eu acho que a estatística é falsa. Porque, se pegarmos todos os padres que hoje gastam tempo apoiando invasão de terra, escrevendo artigos e livros pró-heresia da Libertação, "ganhando o coração" de garotões com Pajeros, dando aula de "teologia" modernista nas PUCs da vida, e colocássemos diante dos altares e dentro dos confessionários, tenho a impressão de que daria, sim, pra atender as necessidades dos fiéis. Isso, claro, porque eu acredito que os fiéis necessitam é da salvação da sua alma, e não da revolução socialista.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Tem coisas que a gente nem precisa ler
No fim de semana passado, estávamos a Cristina e eu no supermercado quando, na fila do caixa rápido, descobrimos o número mais recente de Aventuras na História, um dos filhotes da Super (o outro é a Revista das Religiões, que até há um tempo era editada pela minha veterana Maria Fernanda. Agora não sei mais como está).
O Fernando Tavolaro conseguiu pra mim um jpg da capa:

Acho que só de olhar dá pra concluir, sem nem mesmo ler a matéria, que o repórter nem chegou perto de A Inquisição em Seu Mundo...
O Fernando Tavolaro conseguiu pra mim um jpg da capa:

Acho que só de olhar dá pra concluir, sem nem mesmo ler a matéria, que o repórter nem chegou perto de A Inquisição em Seu Mundo...
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Quando é que a imprensa vai nos pedir perdão?
Ontem, como sabemos, foi o terceiro aniversário da morte de João Paulo II. E o SBT resolveu soltar um SBT Repórter sobre o Papa. Peguei no meio, na parte em que falava das viagens à África. Bom, fora a seleção musical no mínimo questionável (o Peer Gynt ficou bem deslocado, e o que tem o Dies Irae do Requiem do Mozart a ver com a divulgação da terceira parte do segredo de Fátima?), o César Filho passou uns bons minutos repetindo aquela mesmíssima lenga-lenga, que os católicos já cansaram de ouvir, sobre o "pedido de perdão pelos erros da Igreja".
Raios! Que erros da Igreja? Qualquer alfabetizado que saiba ler e depare com o texto lido pelo Papa perceberá que os erros são de pessoas da Igreja, e não da Igreja. A Igreja, como sabemos, não erra por ser o Corpo Místico de Cristo.
Caso alguém ainda tenha dúvida, favor consultar a homilia do 1.º domingo da Quaresma de 2000:
Quando é que esses veículos de comunicação vão nos pedir perdão por distorcer desse jeito as palavras de João Paulo II?
Raios! Que erros da Igreja? Qualquer alfabetizado que saiba ler e depare com o texto lido pelo Papa perceberá que os erros são de pessoas da Igreja, e não da Igreja. A Igreja, como sabemos, não erra por ser o Corpo Místico de Cristo.
Caso alguém ainda tenha dúvida, favor consultar a homilia do 1.º domingo da Quaresma de 2000:
Como Sucessor de Pedro, pedi que "neste ano de misericórdia a Igreja, fortalecida pela santidade que recebe do seu Senhor, se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos" (ibid.). Este primeiro domingo da Quaresma pareceu-me a ocasião propícia para que a Igreja, reunida espiritualmente à volta do Sucessor de Pedro, implore o perdão divino para as culpas de todos os crentes. Perdoemos e peçamos perdão!Onde é que se fala de "culpas da Igreja" aí? Só se fala dos erros de pessoas, e não da Igreja.
(...)
4. Perdoemos e peçamos perdão! Enquanto louvamos a Deus que, no seu amor misericordioso, suscitou na Igreja uma maravilhosa messe de santidade, de ardor missionário, de total dedicação a Cristo e ao próximo, não podemos deixar de reconhecer as infidelidades ao Evangelho, nas quais incorreram alguns dos nossos irmãos, especialmente durante o segundo milénio.
Quando é que esses veículos de comunicação vão nos pedir perdão por distorcer desse jeito as palavras de João Paulo II?
terça-feira, 1 de abril de 2008
Haja conserva!
O blog volta à ativa, depois da loucura que foi a mudança no layout da Gazeta do Povo, com uma matéria da Veja.
A fé que move os jovens
A matéria até que está entre "decente" e "boa" (inclusive dando um merecido pau nos teólogos da libertação), exceto por uma série de escorregões concentrados numa única parte do texto:
Segundo que eu juro que não entendo por que 11 de cada 10 referências ao Opus Dei na imprensa trazem junto o adjetivo "ultraconservador". Podem confirmar com o professor Pasquale: "Opus Dei" não exige adjetivo anexo.
E o que faz do Opus Dei "ultraconservador"? O que a Obra pede aos seus membros? Que sigam a doutrina da Igreja em sua integridade... e só. Juro que nunca vi uma única explicação (satisfatória ou não) para se chamar o Opus Dei de "ultraconservador". Curioso é que a matéria abre com um noviço beneditino. Em cinco anos, o moço "levará uma vida de clausura", como diz a reportagem. Mas não ocorre ao jornalista dizer que a Ordem de São Bento é "ultraconservadora". Também nunca ouvi nada semelhante sobre, por exemplo, carmelitas reclusas, ou os trapistas, que são ainda mais rígidos que os beneditinos. Agora, o Opus Dei, que exige muito menos de qualquer um de seus membros do que essas ordens religiosas, bom, o Opus Dei é "ultraconservador". Dá pra entender?
E, por fim, o Opus Dei surgiu muito, mas muito antes de João Paulo II. Karol Wojtyla tinha oito aninhos quando a Obra nasceu. De qualquer modo, praticamente todo fenômeno católico recente obrigatoriamente terá "proliferado" (tenho minhas restrições a esse verbo) durante o papado de João Paulo II, simplesmente porque ele ficou quase 30 anos no trono de Pedro.
Então está lançado o desafio: encontrar alguma publicação da grande imprensa que não coloque "Opus Dei" e "ultraconservador" (ou variantes) na mesma frase. Será que é possível?
A fé que move os jovens
A matéria até que está entre "decente" e "boa" (inclusive dando um merecido pau nos teólogos da libertação), exceto por uma série de escorregões concentrados numa única parte do texto:
A nova tendência vocacional tem provocado a expansão dos movimentos católicos tradicionalistas, como a radical Fraternidade de Aliança Toca de Assis e o ultraconservador Opus Dei, única organização com status de ser prelazia pessoal do papa. Esses grupos começaram a proliferar durante o papado de João Paulo II e hoje, com as bênçãos de Bento XVI, continuam a arrebanhar vocações, sem proselitismo declarado.Primeiro que "tradicionalista" se usa para os grupos que manifestam preferência pelo rito romano na forma extraordinária, ou seja, a Missa tridentina.
Segundo que eu juro que não entendo por que 11 de cada 10 referências ao Opus Dei na imprensa trazem junto o adjetivo "ultraconservador". Podem confirmar com o professor Pasquale: "Opus Dei" não exige adjetivo anexo.
E o que faz do Opus Dei "ultraconservador"? O que a Obra pede aos seus membros? Que sigam a doutrina da Igreja em sua integridade... e só. Juro que nunca vi uma única explicação (satisfatória ou não) para se chamar o Opus Dei de "ultraconservador". Curioso é que a matéria abre com um noviço beneditino. Em cinco anos, o moço "levará uma vida de clausura", como diz a reportagem. Mas não ocorre ao jornalista dizer que a Ordem de São Bento é "ultraconservadora". Também nunca ouvi nada semelhante sobre, por exemplo, carmelitas reclusas, ou os trapistas, que são ainda mais rígidos que os beneditinos. Agora, o Opus Dei, que exige muito menos de qualquer um de seus membros do que essas ordens religiosas, bom, o Opus Dei é "ultraconservador". Dá pra entender?
E, por fim, o Opus Dei surgiu muito, mas muito antes de João Paulo II. Karol Wojtyla tinha oito aninhos quando a Obra nasceu. De qualquer modo, praticamente todo fenômeno católico recente obrigatoriamente terá "proliferado" (tenho minhas restrições a esse verbo) durante o papado de João Paulo II, simplesmente porque ele ficou quase 30 anos no trono de Pedro.
Então está lançado o desafio: encontrar alguma publicação da grande imprensa que não coloque "Opus Dei" e "ultraconservador" (ou variantes) na mesma frase. Será que é possível?
terça-feira, 25 de março de 2008
Os freis cappuccinos ganharam companhia
Desculpem o sumiço - muito, mas muito trabalho no jornal. Várias novidades, a Gazeta do Povo de domingo vai bombar. Espero que todos tenham tido uma santa Páscoa.

Já faz um tempo (coisa de alguns anos), li numa matéria da Folha de S.Paulo alguma coisa sobre religião, e uma hora o texto falava de "freis cappuccinos". Como já naquela época eu era um jornalista muito implicante, escrevi ao ombudsman, que não lembro quem era, acho que o Mário Magalhães, e questionei essa nomenclatura. A não ser que se tratasse de alguma nova congregação dedicada a fazer café (o que não é inverossímil - sabiam que muita bebida boa saiu de mosteiros?), o certo devia ser "capuchinhos".
Alguns dias depois, o ombudsman me respondeu dizendo que havia consultado o editor de Cotidiano da Folha. O tal editor, bem monossilábico, se limitou a copiar um verbete "do dicionário Michaelis". O verbete era "cappuccino". A definição 1 descrevia o café. A definição 2 dizia "frei capuchinho". Pois bem, o editor teria me convencido... se esse verbete não tivesse sido retirado do dicionário italiano-português Michaelis - que, para azar do jornalista, eu também tinha. Apontei ao ombudsman a picaretagem do seu colega de Folha. Depois disso não recebi mais resposta.
Lembrei-me dessa pequena anedota a propósito disso aqui:
Gravadora contrata monges depois de vê-los na web
O texto não tem nada de mais. Só chama a atenção isso aqui:
Já faz um tempo (coisa de alguns anos), li numa matéria da Folha de S.Paulo alguma coisa sobre religião, e uma hora o texto falava de "freis cappuccinos". Como já naquela época eu era um jornalista muito implicante, escrevi ao ombudsman, que não lembro quem era, acho que o Mário Magalhães, e questionei essa nomenclatura. A não ser que se tratasse de alguma nova congregação dedicada a fazer café (o que não é inverossímil - sabiam que muita bebida boa saiu de mosteiros?), o certo devia ser "capuchinhos".
Alguns dias depois, o ombudsman me respondeu dizendo que havia consultado o editor de Cotidiano da Folha. O tal editor, bem monossilábico, se limitou a copiar um verbete "do dicionário Michaelis". O verbete era "cappuccino". A definição 1 descrevia o café. A definição 2 dizia "frei capuchinho". Pois bem, o editor teria me convencido... se esse verbete não tivesse sido retirado do dicionário italiano-português Michaelis - que, para azar do jornalista, eu também tinha. Apontei ao ombudsman a picaretagem do seu colega de Folha. Depois disso não recebi mais resposta.
Lembrei-me dessa pequena anedota a propósito disso aqui:
Gravadora contrata monges depois de vê-los na web
O texto não tem nada de mais. Só chama a atenção isso aqui:
Os monges são da ordem dos cistercianos.Obrigado ao Davi Redemerski por chamar a atenção na lista Tradição Católica a respeito disso. Bom, não existe nenhuma ordem dos "cistercianos", assim como não existem "freis cappuccinos". Existe, sim, a ordem dos cistercienses. Mas, como em inglês é "cistercians", o esperto redator do Terra resolveu que nem precisava consultar um dicionário (o Aurélio tem um verbete chamado "cisterciense") e traduziu do jeito que ele achou que era. E, como sabemos, nem tudo que o Terra acha realmente é.
sábado, 15 de março de 2008
Mas ainda estão caindo nessa?
Estou passando o fim de semana com a Cristina em Blumenau, e eis que vejo uma chamada do Estúdio SC, o programinha que a RBS daqui exibe depois do Fantástico. Eles vão falar, adivinhem?, dos "novos pecados capitais". Mostram carros de luxo enquanto falam que agora ser muito rico também é pecado, e vão ver o que os catarinenses acham da "lista que o Vaticano publicou".
Tudo bem que esse blog não é assim um campeão de leitura, mas será possível que ainda estejam tratando o assunto desse jeito? O próprio Vaticano já tratou de anunciar que não havia lista, muito menos de "novos pecados capitais".
A página para a qual dei link acima tem, lá embaixo, uma caixa de "fale conosco". Que tal explicarmos a verdade para esse pessoal? Uma sugestão é dar o link da Canção Nova a tradução da entrevista que saiu no L'Osservatore Romano.
Tudo bem que esse blog não é assim um campeão de leitura, mas será possível que ainda estejam tratando o assunto desse jeito? O próprio Vaticano já tratou de anunciar que não havia lista, muito menos de "novos pecados capitais".
A página para a qual dei link acima tem, lá embaixo, uma caixa de "fale conosco". Que tal explicarmos a verdade para esse pessoal? Uma sugestão é dar o link da Canção Nova a tradução da entrevista que saiu no L'Osservatore Romano.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Dois mais ou menos absolvidos e um que precisará de muita penitência
Obrigado ao THT pela lista.
O Correio da Bahia não apenas não entrou na onda dos "novos pecados capitais", como fez a diferenciação. Também deixou de lado aquela babaquice da BBC Brasil sobre "riqueza extrema" ser pecado. Só escorregou na história de os pecados serem "novos".
Já o O Povo, de Fortaleza, embora não tenha comprado o discurso de "novos pecados capitais", resolveu entrevistar justo o Beozzo? Com tanto teólogo decente por aí... quer dizer, vá lá, podem não ser tantos assim, mas melhores que um TL garanto que existem. E olha que fiquei com dúvidas em relação à posição do Beozzo sobre células-tronco embrionárias, por exemplo.
E, pelo contrário, a Época tenta cavar seu lugarzinho no círculo do inferno reservado aos jornalistas que distorcem o que a Igreja diz. Como se a BBC Brasil não tivesse feito bobagem suficiente, a Época tenta piorar a situação.
O Correio da Bahia não apenas não entrou na onda dos "novos pecados capitais", como fez a diferenciação. Também deixou de lado aquela babaquice da BBC Brasil sobre "riqueza extrema" ser pecado. Só escorregou na história de os pecados serem "novos".
Já o O Povo, de Fortaleza, embora não tenha comprado o discurso de "novos pecados capitais", resolveu entrevistar justo o Beozzo? Com tanto teólogo decente por aí... quer dizer, vá lá, podem não ser tantos assim, mas melhores que um TL garanto que existem. E olha que fiquei com dúvidas em relação à posição do Beozzo sobre células-tronco embrionárias, por exemplo.
E, pelo contrário, a Época tenta cavar seu lugarzinho no círculo do inferno reservado aos jornalistas que distorcem o que a Igreja diz. Como se a BBC Brasil não tivesse feito bobagem suficiente, a Época tenta piorar a situação.
a Igreja Católica pretende editar uma nova relação que pode deixar ainda mais fiéis do lado de fora do paraíso.Não, caro Thiago Cid, a Igreja não pretende fazer absolutamente nada.
As mudanças foram anunciadas pelo monsenhor Gianfranco Girotti – considerado o número do 2 do VaticanoNão houve nenhum "anúncio de mudança". Houve uma simples entrevista sobre as funções da Penitenciaria (sem acento) Apostólica. E o "número 2 do Vaticano" é o cardeal Bertone, secretário de Estado. Girotti pode ser o "número 2" da Penitenciaria.
A lista de novos pecados, porém, ainda não foi oficializada pelo Vaticano.Provavelmente a lista não vai ser oficializada pelo Vaticano porque não existe lista nenhuma para ser oficializada...
terça-feira, 11 de março de 2008
O que mais me surpreende...
... nessa história dos "novos" pecados é que a matéria original, do L'Osservatore Romano, não passava de uma inocente entrevista sobre a Penitenciária Apostólica, um órgão do Vaticano (leiam a íntegra no link da Canção Nova que eu passei no post abaixo). Aí pegam uma pergunta e em cima dela montam todo um estardalhaço que corre o mundo, inventando listas de "novos pecados" (e olha que tem coisas na lista que nem Deus sabe de onde saíram)... será que anda faltando notícia no planeta?
Com vocês, os "novos" pecados
Um texto da BBC Brasil datado de ontem causou polvorosa no mundo católico, e fez a alegria de jornais que adoram essas coisas pitorescas sobre a Igreja.
Vaticano divulga lista de novos pecados capitais
Foi uma pena que eu não tenha conseguido o texto em italiano do L'Osservatore Romano de domingo, que é a fonte original do rebuliço. Assim eu teria comparado exatamente o que saiu com o que a BBC Brasil disse que saiu (afinal, todos sabemos que a regra é haver diferenças gritantes entre uma e outra coisa). Mas o site da Canção Nova publicou o que parece ser a tradução do texto.
Lendo a notícia na Canção Nova, logo de cara se descarta que os "novos pecados" sejam "pecados capitais". Afinal, pecado capital é um vício do qual derivam vários outros. Em outras palavras: no fim das contas, praticamente todos os pecados são expressões (ou "aplicações práticas") desses sete. E a nova lista traz coisas muito específicas. A Gazeta do Povo, por exemplo, adotou a nomenclatura "pecados sociais". Eu fico com o pé atrás em relação a isso: "pecado social" é um conceito que a TL adora, porque o "pecado de todo mundo" acaba virando o pecado de ninguém, e a responsabilidade individual vai pro espaço - podemos ver isso em alguns folhetinhos de missa, quando no ato penitencial as pessoas são levadas a pedir perdão pelo pecado dos outros, pelo pecado da comunidade, mas nunca pelo próprio pecado. Na verdade, o Vaticano fala de pecados individuais com conseqüências sociais.
Bosch, que vocês já conhecem desse blog, pintou os sete pecados capitais. Abrimos, claro, com o "pai de todos", a soberba.
E também descarto a interpretação de que esses pecados sejam "novos", no sentido de que antes não eram pecado, e agora passam a ser. Qualquer cristão consciente sabia, muito antes dessa lista, que "causar injustiça social" e "poluir o meio ambiente" eram pecados (Deus não colocou o homem no jardim para que cuidasse dele? Então, usar mal os recursos naturais pode ser considerado um dos primeiros pecados, em ordem cronológica...). "Usar drogas", inclusive, já constava até no Catecismo publicado em 1992:
Gula - só porque está quase na hora do almoço.
E ainda nem falamos das interpretações individuais de cada pecado!
Não sei como, porque não solicitei nada disso, estou no mailing de um site humorístico chamado Central de Notícias Populares, com o subtítulo "Jornalismo com responsabilidade social". Pois bem, ontem mesmo recebi um aviso:
Bom, se a infiltração da Obra na imprensa fosse do jeito que esse povo imagina, garanto que o jornalismo brasileiro seria muito melhor - e não sairia tanta bobagem sobre a Igreja na imprensa, concordam?
Agora, vamos ao que o Vaticano entende por "modificação genética". Com a palavra, monsenhor Gianfranco Girotti:
A BBC Brasil fez (e outros copiaram) uma listinha de pecados. Curiosamente, no site da Canção Nova não tem listinha nenhuma. Pior ainda - na relação da BBC Brasil tem coisa que simplesmente nem foi mencionada na entrevista com o monsenhor Girotti, como
A BBC Brasil ainda cometeu uma gafe monstruosa:
(Desculpem, não achei as reproduções detalhadas dos outros pecados segundo Bosch)
Mas bem que podiam incluir na listinha "distorcer informações sobre a Igreja"...
Vaticano divulga lista de novos pecados capitais
Foi uma pena que eu não tenha conseguido o texto em italiano do L'Osservatore Romano de domingo, que é a fonte original do rebuliço. Assim eu teria comparado exatamente o que saiu com o que a BBC Brasil disse que saiu (afinal, todos sabemos que a regra é haver diferenças gritantes entre uma e outra coisa). Mas o site da Canção Nova publicou o que parece ser a tradução do texto.
Lendo a notícia na Canção Nova, logo de cara se descarta que os "novos pecados" sejam "pecados capitais". Afinal, pecado capital é um vício do qual derivam vários outros. Em outras palavras: no fim das contas, praticamente todos os pecados são expressões (ou "aplicações práticas") desses sete. E a nova lista traz coisas muito específicas. A Gazeta do Povo, por exemplo, adotou a nomenclatura "pecados sociais". Eu fico com o pé atrás em relação a isso: "pecado social" é um conceito que a TL adora, porque o "pecado de todo mundo" acaba virando o pecado de ninguém, e a responsabilidade individual vai pro espaço - podemos ver isso em alguns folhetinhos de missa, quando no ato penitencial as pessoas são levadas a pedir perdão pelo pecado dos outros, pelo pecado da comunidade, mas nunca pelo próprio pecado. Na verdade, o Vaticano fala de pecados individuais com conseqüências sociais.
E também descarto a interpretação de que esses pecados sejam "novos", no sentido de que antes não eram pecado, e agora passam a ser. Qualquer cristão consciente sabia, muito antes dessa lista, que "causar injustiça social" e "poluir o meio ambiente" eram pecados (Deus não colocou o homem no jardim para que cuidasse dele? Então, usar mal os recursos naturais pode ser considerado um dos primeiros pecados, em ordem cronológica...). "Usar drogas", inclusive, já constava até no Catecismo publicado em 1992:
2291 O uso da droga causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. Salvo indicações estritamente terapêuticas, constitui falta grave.Qualquer pecado sempre foi pecado e sempre continuará sendo. Lembro da época do lançamento do Catecismo de 1992, em que diziam "soltar cheque sem fundo agora é pecado". Bobagem: mesmo antes de 1992, cheque sem fundo já era pecado, pois constitui fraude. Por outro lado, diziam que os duelos tinham saído do catecismo. Óbvio: ninguém mais fica trocando golpes de espada na rua. Mas, caso ainda haja quem prefira resolver suas diferenças assim, um aviso: duelar continua sendo pecado. Da mesma forma, no Catecismo não diz que hackear computadores alheios para pegar senhas é pecado - mas quem duvida de que é uma atitude moralmente errada?
E ainda nem falamos das interpretações individuais de cada pecado!
Não sei como, porque não solicitei nada disso, estou no mailing de um site humorístico chamado Central de Notícias Populares, com o subtítulo "Jornalismo com responsabilidade social". Pois bem, ontem mesmo recebi um aviso:
Transgênico agora é "pecado" – O pessoal da “Opus Dei” que se relaciona aí com parte da imprensa brasileira, está em apuros. É que o Vaticano incluiu os organismos geneticamente modificados na lista de “pecados modernos”. E pela “cobertura” que os grandes medias dão aos opositores dos transgênicos, uma boa parte já está com seu cantinho reservado no inferno. Claro que lá, estarão em boa companhia, com a Monsanto, a Bunge , a Cargill, a Syngenta e outras empresas que querem patentear a vida e empestiar toda a superfície da terra com os seus royalties.(OK, pausa para as gargalhadas. É ou não é verdade que socialismo em excesso faz mal ao cérebro?)
Bom, se a infiltração da Obra na imprensa fosse do jeito que esse povo imagina, garanto que o jornalismo brasileiro seria muito melhor - e não sairia tanta bobagem sobre a Igreja na imprensa, concordam?
Agora, vamos ao que o Vaticano entende por "modificação genética". Com a palavra, monsenhor Gianfranco Girotti:
na área da bioética, aonde não podemos deixar de denunciar algumas violações nos direitos fundamentais da natureza humana através de experimentos, manipulações genéticasFicou claro ou preciso desenhar? A manipulação genética condenada é aquela feita com seres humanos. O Vaticano não tem nada contra os transgênicos.
A BBC Brasil fez (e outros copiaram) uma listinha de pecados. Curiosamente, no site da Canção Nova não tem listinha nenhuma. Pior ainda - na relação da BBC Brasil tem coisa que simplesmente nem foi mencionada na entrevista com o monsenhor Girotti, como
5. Tornar-se extremamente ricoNa Canção Nova não tem, mas eu queria muito ver se no L'Osservatore Romano saiu algo parecido. Porque ser rico, ou "extremamente rico", não é pecado. O pecado é ter acumulado riqueza explorando outros, recorrendo à fraude, e ser apegado às riquezas. Quem se tornou "extremamente rico" trabalhando duro, remunerando seus empregados de forma justa e não se apegando à riqueza conquistada não faz nada de errado.
A BBC Brasil ainda cometeu uma gafe monstruosa:
Na entrevista ao Osservatore Romano, Girotti recordou as recomendações para se receber o perdão.Confissão antes de cometer o pecado? Isso simplesmente não existe! Vejamos agora o que saiu na Canção Nova:
"Confissão em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado, comunhão, oração segundo as intenções do papa, pureza e caridade", disse o clérigo.
Nicola Gori - Não parece que as condições para ter indulgências sejam leves?O erro é grotesco. A confissão é dias antes ou depois da indulgência, não do pecado! Antes mesmo de eu ler o texto na Canção Nova, o Jorge Ferraz já tinha cantado essa bola: a de que o padre estivesse se referindo a indulgências, que de algum modo a imprensa entendeu como "perdão dos pecados". O que não é surpreendente, já que muitíssimas vezes vi essa confusão nos jornais.
Gianfranco Girotti - Se juntamente às condições impostas - confissão sacramental, não mais do que há 15 dias antes ou depois da indulgência, comunhão eucarística e oração segundo as orações do pontífice – pensemos que para adquirir a indulgência também é pedido um grau de pureza e sinais de ardente caridade, coisas difíceis à nossa fragilidade, então diria que aquilo que está estabelecido não é de se minimizar.
(Desculpem, não achei as reproduções detalhadas dos outros pecados segundo Bosch)
Mas bem que podiam incluir na listinha "distorcer informações sobre a Igreja"...
Mistério resolvido
Faz alguns dias perguntei, nesse blog, por que quase ninguém noticiou a nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir.
Ontem, depois que eu li a abjeta Mensagem às Mulheres do Brasil, em que os bispos defendem as invasoras da Via Campesina (dane-se o que João Paulo II disse a respeito, não é mesmo?) e denunciam que o verdadeiro invasor é o "capital internacional", cheguei à seguinte (triste) conclusão:
Nenhum jornal divulgou a nota sobre as CDD porque todos acharam que era trote.
Ontem, depois que eu li a abjeta Mensagem às Mulheres do Brasil, em que os bispos defendem as invasoras da Via Campesina (dane-se o que João Paulo II disse a respeito, não é mesmo?) e denunciam que o verdadeiro invasor é o "capital internacional", cheguei à seguinte (triste) conclusão:
Nenhum jornal divulgou a nota sobre as CDD porque todos acharam que era trote.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Aguardem e confiem
Não sei se vai dar pra hoje, mas certamente comentarei a estátua de Galileu e os novos "pecados capitais".
sexta-feira, 7 de março de 2008
O que a decadência faz...
Vocês devem se lembrar de Paulo Henrique Amorim. Um dia ele foi da Globo. Hoje nem sei por onde anda, exceto pelo fato de ele ter um blog no iG. Numa coluna, Diogo Mainardi escreveu que a carreira de Paulo Henrique Amorim estava na descendente, o jornalista não gostou e entrou com processo, e perdeu. O juiz, para completar a humilhação, ainda justificou na decisão que, para quem já havia ocupado horário nobre na Globo, ter a posição que tem agora realmente representa estar com a carreira em declínio.
Pois bem, agora Paulo Henrique Amorim resolveu bater forte no ministro Carlos Alberto Direito por sua decisão de pedir vistas no julgamento da pesquisa com células-tronco. O jeito de escrever de PHA é curioso: ele gosta de seqüências de várias frases curtas. Não sei se isso é questão de estilo (bem ruinzinho, diga-se de passagem) ou é causado também pelo declínio na carreira jornalística - Deus queira que nunca aconteça comigo, e que eu envelheça sabendo escrever parágrafos inteiros de tamanho respeitável para expressar minhas idéias.
Anyway: uma das brincadeiras prediletas de PHA é chamar o ministro Direito de "fundamentalista". Aliás, ele também chama a causa contra a pesquisa com embriões de "fundamentalista". Convenhamos - o adjetivo tem carga pejorativa, mas, como diz o ditado, há malas que vão pra Belém. Uma coisa que não se pode negar é que no nosso lado (o lado contra a destruição de embriões) o que não falta é fundamento: fundamento científico, fundamento legal, fundamento ético. Então acho até que dá pra dizer mesmo que somos fundamentalistas, e dos bons, já que estamos cheios de fundamento.
Especialmente divertido foi ler o seguinte:
Pois bem, agora Paulo Henrique Amorim resolveu bater forte no ministro Carlos Alberto Direito por sua decisão de pedir vistas no julgamento da pesquisa com células-tronco. O jeito de escrever de PHA é curioso: ele gosta de seqüências de várias frases curtas. Não sei se isso é questão de estilo (bem ruinzinho, diga-se de passagem) ou é causado também pelo declínio na carreira jornalística - Deus queira que nunca aconteça comigo, e que eu envelheça sabendo escrever parágrafos inteiros de tamanho respeitável para expressar minhas idéias.
Anyway: uma das brincadeiras prediletas de PHA é chamar o ministro Direito de "fundamentalista". Aliás, ele também chama a causa contra a pesquisa com embriões de "fundamentalista". Convenhamos - o adjetivo tem carga pejorativa, mas, como diz o ditado, há malas que vão pra Belém. Uma coisa que não se pode negar é que no nosso lado (o lado contra a destruição de embriões) o que não falta é fundamento: fundamento científico, fundamento legal, fundamento ético. Então acho até que dá pra dizer mesmo que somos fundamentalistas, e dos bons, já que estamos cheios de fundamento.
Especialmente divertido foi ler o seguinte:
O Ministro Direito é católico militante e está à direita da Opus Dei e do Papa Bento XVI.Não sei o que significa estar "à direita" do (é masculino) Opus Dei e do Papa. Aliás, falando em Bento XVI, vamos recordar o que ele disse, quando ainda era cardeal Ratzinger, na homilia da missa Pro Eligendo Pontifice, em abril de 2005:
Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decénios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao colectivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4, 14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar "aqui e além por qualquer vento de doutrina", aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.Agradeçamos a Deus por Bento XVI!
Falta informação ao filósofo
Outro anti-católico de carteirinha é o Helio Schwartsman, editorialista da Falh... oops, Folha de S.Paulo. Filósofo, ele adora descer o malho nos católicos em nome do avanço da ciência ou algum outro dogma iluminista. Na coluna de anteontem, ele resolveu baixar ainda mais o nível:
O prazer de perdoar
O texto repete a mesma lenga-lenga anti-católica que já conhecemos, e deixo as respostas adequadas para pessoas mais competentes. O que eu faço aqui é me limitar a mostrar que o editorialista-filósofo não faz muito bem o dever de casa na hora de pesquisar sobre certos assuntos.
Vamos aos trechos relevantes. Os negritos são meus:
Isso derruba totalmente o argumento do Schwartsman. Para ele, a Igreja defenderia o início da vida na concepção por causa do seu ensinamento sobre a infusão da alma. Mas, na verdade, se a Igreja não sabe ainda qual é o exato momento da infusão da alma (como acabamos de demonstrar), tem de haver outro motivo para a Igreja defender a vida desde a concepção. E esse motivo é dado pela ciência, por mais que o Schwartsman ache isso uma "bobagem".
Ele também afirma que "ninguém jamais demonstrou que existe alma". Diz isso como se fosse um grande golpe desmoralizador na Igreja, sem notar que a sua afirmação é um tanto óbvia, já que a alma é uma realidade espiritual. E o contrário também é verdadeiro, como diz a nota de rodapé do texto da CDF: ninguém jamais demonstrou que não existe alma. E vejam que, lá em 1974, a CDF já respondia ao argumento que se levanta 34 anos depois. Ainda que o embrião não tenha alma, ainda que não se possa provar cientificamente a existência ou não de alma no embrião, no feto, ou até mesmo em mim e em você, a evidência científica garante a presença de vida humana, que merece ser respeitada.
Vejam só: 34 anos antes, a Igreja dando respostas a questões levantadas hoje... tem como não acreditar que Deus assiste essa Igreja?
O prazer de perdoar
O texto repete a mesma lenga-lenga anti-católica que já conhecemos, e deixo as respostas adequadas para pessoas mais competentes. O que eu faço aqui é me limitar a mostrar que o editorialista-filósofo não faz muito bem o dever de casa na hora de pesquisar sobre certos assuntos.
Embora os "amici curiae" evitem dizê-lo nos autos, o ponto central, que torna coerente a posição do Vaticano, é um dogma "de fide": o homem é composto de corpo e alma. E, para a igreja, esta é instilada no novo ser no momento da concepção. Só que ninguém jamais demonstrou que existe alma e muito menos que ela se instala no embrião quando o espermatozóide fertiliza o óvulo. O dissenso não opõe apenas religiosos a vis ateus. Uma das mais importantes autoridades da igreja, santo Tomás de Aquino, afirmou, acompanhando Aristóteles, que a alma de garotos só chegava ao embrião no 40º dia. Já a de garotas, talvez porque fossem mais lentas para arrumar-se, só no 48º dia.Infelizmente essa coisa de "a Igreja ensina que a alma se infunde no momento da concepção" é repetida até mesmo em meios católicos. Já tive um debate numa comunidade de Orkut sobre o assunto, quando alguém trouxe um texto de algum padre desses que faz sucesso em canais católicos (nada contra). Mas, já que o Schwartsman se deu o trabalho de ir pesquisar Tomás de Aquino, podia ter ido também aos arquivos online da Congregação para a Doutrina da Fé, onde está o documento mais recente que trata do assunto. É a Declaração sobre o Aborto Provocado, de 1974.
Vamos aos trechos relevantes. Os negritos são meus:
7. E no decorrer da história, os Padres da Igreja, bem como os seus Pastores e os seus Doutores, ensinaram a mesma doutrina, sem que as diferentes opiniões acerca do momento da infusão da alma espiritual tenham introduzido uma dúvida sobre a ilegitimidade do aborto. É certo que, na altura da Idade Média em que era opinião geral não estar a alma espiritual presente no corpo senão passadas as primeiras semanas, se fazia uma distinção quanto à espécie do pecado e à gravidade das sanções penais.Conclusão: a Igreja nunca se pronunciou definitivamente sobre o momento exato da infusão da alma. Então, por enquanto é lícito defender tanto a animação imediata quanto a animação tardia. O que não se pode é afirmar taxativamente que "a Igreja ensina que a alma se infunde em tal ou qual momento" porque, como vimos, até o momento o assunto ainda está em aberto.
(...)
13. A esta evidência de sempre (absolutamente independente das discussões acerca do momento da animação)
(...)
nota de rodapé 19: Esta Declaração deixa expressamente de parte o problema do momento de infusão da alma espiritual. Sobre este ponto não há tradição unânime e os autores acham-se ainda divididos. Para alguns, ela dá-se a partir do primeiro momento da concepção; para outros, ela não poderia preceder ao menos a nidificação. Não compete à ciência dirimir a favor de uns ou de outros, porque a existência de uma alma imortal não entra no seu domínio. Trata-se de uma discussão filosófica, da qual a nossa posição moral permanece independente, por dois motivos: 1° no caso de se supor uma animação tardia, estamos já perante uma vida humana, em qualquer hipótese, (biológicamente verificável); vida humana que prepara e requer esta alma, com a qual se completa a natureza recebida dos pais; 2° por outro lado, basta que esta presença da alma seja provável (e o contrário nunca se conseguirá demonstrá-lo) para que o tirar-lhe a vida equivalha a aceitar o risco de matar um homem, não apenas em expectativa, mas já provido da sua alma.
Isso derruba totalmente o argumento do Schwartsman. Para ele, a Igreja defenderia o início da vida na concepção por causa do seu ensinamento sobre a infusão da alma. Mas, na verdade, se a Igreja não sabe ainda qual é o exato momento da infusão da alma (como acabamos de demonstrar), tem de haver outro motivo para a Igreja defender a vida desde a concepção. E esse motivo é dado pela ciência, por mais que o Schwartsman ache isso uma "bobagem".
Ele também afirma que "ninguém jamais demonstrou que existe alma". Diz isso como se fosse um grande golpe desmoralizador na Igreja, sem notar que a sua afirmação é um tanto óbvia, já que a alma é uma realidade espiritual. E o contrário também é verdadeiro, como diz a nota de rodapé do texto da CDF: ninguém jamais demonstrou que não existe alma. E vejam que, lá em 1974, a CDF já respondia ao argumento que se levanta 34 anos depois. Ainda que o embrião não tenha alma, ainda que não se possa provar cientificamente a existência ou não de alma no embrião, no feto, ou até mesmo em mim e em você, a evidência científica garante a presença de vida humana, que merece ser respeitada.
Vejam só: 34 anos antes, a Igreja dando respostas a questões levantadas hoje... tem como não acreditar que Deus assiste essa Igreja?
quinta-feira, 6 de março de 2008
Como não conseguir respostas e ainda posar como jornalista decente
Lembram do artigo de IstoÉ chamado "O bispo intrometido"? Comentei aqui. Agora me vem uma informação do Claudemir, meu colega de listas católicas na net, sobre o fato de dom José não ter respondido as perguntas da revista:
Dom José foi procurado sim para responder alguns questionamentos (por escrito, por solicitação do próprio arcebispo) enviados pela revista. Mas, é importantíssimo levar em consideração o seguinte detalhe: as perguntas foram enviadas a ele algumas horas (isso mesmo, eu disse *algumas horas*) antes do fechamento da edição da revista, de forma que, devido a outras atribuições de seu ministério, ele não pôde responder antes da hora prevista pela Istoé. Ele fez questão de frisar este ponto na última visita que o fiz, há duas semanas.Se a IstoÉ fosse um jornal diário, eu entenderia, pois trabalho em um. Mas numa revista semanal isso é desonestidade. Dom José não é o Dorival Caymmi, que passa o tempo todo sem fazer nada. Ele tem suas obrigações e são muitas. Querer que ele pare tudo para responder a uma entrevista poucas horas antes do fechamento da revista é pedir para ele dizer "não" à revista. Custava ter mandado as perguntas com alguns dias de antecedência?
Uma questão de mobília
Matéria correta (quer dizer, sem erros de informação sobre a Igreja) na Veja Online:
Padres terão "curso de confessionário"
O curso é para ajudar os padres a se portarem melhor diante de revelações bombásticas ouvidas em confissão. Mas, do jeito que anda o mobiliário das igrejas, e diante da profusão das "salinhas de aconselhamento", acho que não faria falta também um curso sobre como usar o confessionário. Tipo, "padre, o senhor se senta aqui, com a estola roxa; o penitente se ajoelha (sim, é de joelhos) aqui, do outro lado da gradinha"...
Tirando a impaciência do padre, é desse jeito mesmo que se faz!
Padres terão "curso de confessionário"
O curso é para ajudar os padres a se portarem melhor diante de revelações bombásticas ouvidas em confissão. Mas, do jeito que anda o mobiliário das igrejas, e diante da profusão das "salinhas de aconselhamento", acho que não faria falta também um curso sobre como usar o confessionário. Tipo, "padre, o senhor se senta aqui, com a estola roxa; o penitente se ajoelha (sim, é de joelhos) aqui, do outro lado da gradinha"...
quarta-feira, 5 de março de 2008
Passou em branco
Impressão minha ou absolutamente ninguém publicou a nota da CNBB sobre as Católicas pelo Direito de Decidir que saiu na segunda-feira?
terça-feira, 4 de março de 2008
Dando um tempo nos embriões
O Terra continua aprontando das suas. Essa saiu ontem:
Corpo de padre Pio é exumado para exibição pública
São Padre Pio, rogai por nós!
O texto é da Assimina Vlahou, da BBC Brasil (não sei se ela ainda é correspondente do Estadão em Roma). Começa assim:
Corpo de padre Pio é exumado para exibição pública
O texto é da Assimina Vlahou, da BBC Brasil (não sei se ela ainda é correspondente do Estadão em Roma). Começa assim:
O corpo de padre Pio, santo venerado no mundo católico por ter curado enfermosSó precisamos lembrar à jornalista que quem faz os milagres é Deus. O santo é só um intercessor. É uma diferença crucial, para que certos protestantes não fiquem nos enchendo.
Assinar:
Postagens (Atom)
